Depois de algumas semanas de ausência, volto "on fire" com um dos temas que me levou a querer fazer o blog, daqueles que geram polêmica, devido à minha posição um tanto "preto e branco". Daqueles (temas) que normalmente prefiro não falar porque levam a discussão e não gosto de discutir, especialmente quando não vou mudar de opinião.
Só para haver um bocadinho de "background", fui criada num ambiente de zero álcool, por alguém que provavelmente ultrapassou em diversas vezes a seu "fair share" de ingestão alcoólica. Quando me vi sozinha noutro país, e já tendo há muito, mais que idade legal para beber, deixei me levar, mais que tudo pela curiosidade e a liberdade de fazer o que eu quisesse. Mas decobri que não gosto de beber, não me sinto bem fisicamente, apenas gosto de gostinho doce de algumas bebidas (coisa que posso ter com qualquer bebida doce não alcoólica).
Não tenho uma visão tão "puritana" em que não aceito ou não tolero nem uma gota de álcool, mas . . . e esta é a opinião que gera polêmica . . . do meu ponto de vista qualquer pessoa que beba "on a regular basis" é alcoólico! Ou tem uma certa dependência.
Atenção que digo isto como alguém que tem uma completa dependência ao açúcar, e não consegue passar nem um dia sem comer doces.
Mas a minha dependência afecta apenas a minha saúde, e quando muito a dos meus filhos que provavelmente vão fazer o que eu faço e não o que eu digo. O meu grande problema com o álcool é que quem bebe perde e altera as suas capacidades física, mental e emocional. E em muitos casos o álcool mata e, infelizmente, não falo só de quem bebe.
Claro que muita gente bebe só um pouco sem chegar ao ponto do "não retorno", mas se o fazem todos os dias, ou todos os fins de semana ou em todos os "jantares com amigos" e simplesmente não conseguem dizer "não", que me desculpem, mas eu chamo a isso um alcoólico.
Uma (ou duas) bebidas num aniversário, um champanhe no fim de ano, um copo de vinho num jantar especial é mais que natural e até saudável (ou o CÁLICE de vinho por dia que faz bem ao coração, dizem). Agora não me venham com "bullshit" de que "eu não me embebedo", ou "eu só bebo socialmente" (quando a vida social é todos os fins de semana) ou "ajuda a ficar mais desinibido".
Esta é a minha opinião sobre as bebidas alcoólicas, não faz com que goste menos das pessoas que bebem mas também não vai mudar.
Um cantinho, escondido mas à vista de todos, para ser eu: mulher, mãe, filha, amiga. Um cantinho de opiniões, historias, crónicas, pensamentos.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
domingo, 31 de dezembro de 2017
O que é isso?
Nunca na minha vida fiz um balanço do ano que está a terminar (ou algo que se pareça), mas talvez devesse, dizem que é liberador e ajuda a perceber o que queremos para o próximo ano, não em modo "resoluções de ano novo" mas em modo "coisas a fazer para melhorar a minha vida"!
Então, foi um bom ano no geral, o único que não me agrada e que gera muito conflito familiar é que o tempo que o pai da família não está conosco é muito superior ao que está. Mas mesmo gerando conflito é algo que não tenho intenção de deixar de reclamar.
Foi o primeiro ano (desde que entrei no mercado laboral) que passei o ano inteiro sem trabalhar fora de casa, e não me arrependo nem um pouco. A primeira metade estava de licença oficial, e a segunda metade foi, o que a meu ver devia ser a continuação da licença. Mas sorte a minha que tive este privilégio, o de ser despedida (ah, desculpem, de o meu contrato não ter sido legalmente renovado) por ter tido um bebé. Percebi o que quero e o que não quero para a minha família e vou procurar que o que quero aconteça mais vezes.
O mais importante do meu ano foi, sem dúvida, poder acompanhar o crescimento dos meus filhos diariamente, e saber que estão bem e saudáveis. Agora só falta que o pai dos meus filhos possa ter o mesmo privilégio que eu, não sei se será no próximo ano, mas vou fazer por isso.
A parte menos boa deste ano foi no campo das amizades e apesar de ter ganho novas amigas (virtuais, mas muito presentes e importantes), voltei a perceber o delicada que é a amizade, e como por coisas insignificantes nos afastamos de amigos. É triste mas é a realidade, e mesmo sendo algo que já não é a primeira vez que me acontece, não deixa de magoar, e apesar que sou pessoa que perdoa rápido (mesmo que não pareça), não esqueço, o que não permite que as amizades voltem ao mesmo. Se vou mudar ou se alguma coisa vai ser diferente neste tema, não sei. Só sei que eu e o que me faz sentir bem vai estar sempre em primeiro. Um conselho para o novo ano: não gostas de mim, faz me saber, "don't pretend", prefiro saber e até tentar mudar (se for caso para isso) do que levar com a hipocrisia de quem não gosta de mim.
Como disse, no geral foi um bom ano, calmo e sem grandes mudanças. Foi um ano de introspeção.
Espero com entusiasmo o que 2018 me trouxer.
Este balanço foi puramente pessoal, e não espelha de maneira nenhuma os acontecimentos na vida de familiares, amigos, conhecidos ou desconhecidos no panorama nacional e mundial.
Então, foi um bom ano no geral, o único que não me agrada e que gera muito conflito familiar é que o tempo que o pai da família não está conosco é muito superior ao que está. Mas mesmo gerando conflito é algo que não tenho intenção de deixar de reclamar.
Foi o primeiro ano (desde que entrei no mercado laboral) que passei o ano inteiro sem trabalhar fora de casa, e não me arrependo nem um pouco. A primeira metade estava de licença oficial, e a segunda metade foi, o que a meu ver devia ser a continuação da licença. Mas sorte a minha que tive este privilégio, o de ser despedida (ah, desculpem, de o meu contrato não ter sido legalmente renovado) por ter tido um bebé. Percebi o que quero e o que não quero para a minha família e vou procurar que o que quero aconteça mais vezes.
O mais importante do meu ano foi, sem dúvida, poder acompanhar o crescimento dos meus filhos diariamente, e saber que estão bem e saudáveis. Agora só falta que o pai dos meus filhos possa ter o mesmo privilégio que eu, não sei se será no próximo ano, mas vou fazer por isso.
A parte menos boa deste ano foi no campo das amizades e apesar de ter ganho novas amigas (virtuais, mas muito presentes e importantes), voltei a perceber o delicada que é a amizade, e como por coisas insignificantes nos afastamos de amigos. É triste mas é a realidade, e mesmo sendo algo que já não é a primeira vez que me acontece, não deixa de magoar, e apesar que sou pessoa que perdoa rápido (mesmo que não pareça), não esqueço, o que não permite que as amizades voltem ao mesmo. Se vou mudar ou se alguma coisa vai ser diferente neste tema, não sei. Só sei que eu e o que me faz sentir bem vai estar sempre em primeiro. Um conselho para o novo ano: não gostas de mim, faz me saber, "don't pretend", prefiro saber e até tentar mudar (se for caso para isso) do que levar com a hipocrisia de quem não gosta de mim.
Como disse, no geral foi um bom ano, calmo e sem grandes mudanças. Foi um ano de introspeção.
Espero com entusiasmo o que 2018 me trouxer.
Este balanço foi puramente pessoal, e não espelha de maneira nenhuma os acontecimentos na vida de familiares, amigos, conhecidos ou desconhecidos no panorama nacional e mundial.
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
Ser tia
Do meu ponto de vista existem 3 possibilidades para se ser tia/tio.
Os filhos dos nossos irmãos fazem de nós tios de verdade, e isto infelizmente nunca vou ser. Sempre achei que as pessoas casadas com os meus tios/tias não eram realmente meus tios, não é algo que eu diga por mal ou de forma depreciativa, é apenas que acho que são tios de casamento, mas não sei como funciona isto legalmente.
E por último existem os tios postiços, quer dizer, aqueles amigos do peito que consideramos como "irmãos" e muitas vezes passam mais tempo conosco que a própria família, e chegam em muitos casos a substituir os tios verdadeiros.
Como já disse, nunca vou ser tia de verdade e é algo que mexe muito comigo. Talvez um dia seja tia por casamento, mas por enquanto não está à vista.
O que realmente nunca pensei foi ficar tão ansiosa e entusiasmada em ser tia postiça. Está para acontecer a qualquer momento e estou constantemente a ver o telemóvel, tento dar conselhos que não sejam muito chatos e apoiar as decisões.
Acredito realmente que os amigos são a família que escolhemos e tanto como os meus filhos têm tios postiços que são importantes na vida deles, espero ser uma boa "tia" e estar à altura do desafio.
Os filhos dos nossos irmãos fazem de nós tios de verdade, e isto infelizmente nunca vou ser. Sempre achei que as pessoas casadas com os meus tios/tias não eram realmente meus tios, não é algo que eu diga por mal ou de forma depreciativa, é apenas que acho que são tios de casamento, mas não sei como funciona isto legalmente.
E por último existem os tios postiços, quer dizer, aqueles amigos do peito que consideramos como "irmãos" e muitas vezes passam mais tempo conosco que a própria família, e chegam em muitos casos a substituir os tios verdadeiros.
Como já disse, nunca vou ser tia de verdade e é algo que mexe muito comigo. Talvez um dia seja tia por casamento, mas por enquanto não está à vista.
O que realmente nunca pensei foi ficar tão ansiosa e entusiasmada em ser tia postiça. Está para acontecer a qualquer momento e estou constantemente a ver o telemóvel, tento dar conselhos que não sejam muito chatos e apoiar as decisões.
Acredito realmente que os amigos são a família que escolhemos e tanto como os meus filhos têm tios postiços que são importantes na vida deles, espero ser uma boa "tia" e estar à altura do desafio.
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
Nem tudo o que parece é!
É engraçado dar nos conta que a ideia que temos de nós mesmos não coincide de todo com a opinião que têm os outros, e tenho vindo a perceber isto num assunto em particular últimamente.
Sou uma pessoa muito insegura, e desde a minha adolescência tenho vindo a aperfeiçoar a minha capacidade de não me importar com o que os outros pensam de mim, mas no fundo, bem escondida, a vozinha que questiona tudo o que eu faço continua lá.
Depois de vários comentários em nada relacionados a mim directamente e de diferentes pessoas, notei que geralmente as pessoas me vêm como alguém muito segura de si mesma, e isto dá-me vontade de rir, é quase como chegar a um lugar onde ninguém me conhece, dizer que sou cirurgiã, e sem nunca fazer nenhuma cirurgia todos dizerem o boa que sou no meu trabalho. E este post é só para lembrar que alguém que parece ser forte e muito segura nem sempre é, só desenvolveu uma grande capacidade para fingir que é.
Sou uma pessoa muito insegura, e desde a minha adolescência tenho vindo a aperfeiçoar a minha capacidade de não me importar com o que os outros pensam de mim, mas no fundo, bem escondida, a vozinha que questiona tudo o que eu faço continua lá.
Depois de vários comentários em nada relacionados a mim directamente e de diferentes pessoas, notei que geralmente as pessoas me vêm como alguém muito segura de si mesma, e isto dá-me vontade de rir, é quase como chegar a um lugar onde ninguém me conhece, dizer que sou cirurgiã, e sem nunca fazer nenhuma cirurgia todos dizerem o boa que sou no meu trabalho. E este post é só para lembrar que alguém que parece ser forte e muito segura nem sempre é, só desenvolveu uma grande capacidade para fingir que é.
sábado, 14 de outubro de 2017
O parto da Oriana (parte II)
Como já disse (parte I aqui), infelizmente ter planos para um parto não é de todo indicação de como vai correr, e muitas coisas que queria foram eliminadas logo de inicio, como um parto na água (não sendo possível no SNS, o privado não era opção), ou esperar pelo inicio espontâneo do trabalho de parto.
Como combinado, no dia seguinte por volta do meio dia deram-me um comprimido para a indução, como o pai da criança tinha estado a trabalhar durante a noite só lhe liguei a essa hora.
Ter certezas em relação a como vai correr um parto é quase como ter a certeza sobre uma qualquer característica do bebe antes dele nascer, é impossível! Mas pensei que este seria um parto rápido, ou pelo menos mais rápido que o primeiro, porque isso é o que dizem.
Estava enganada.
Voltando ao inicio, liguei ao meu marido mal me deram o comprimido para induzir, e na minha inocência pensei que seria algo rápido, pois o primeiro tinha durado 7 horas em total. E de seguida entreguei o plano de parto que tinha feito, para ficar junto do meu processo, o qual foi bem aceite. Não estava presa à cama, nem ao CTG, nem ao soro, tinha autorização para andar, tomar duche e comer/beber (como solicitado no plano de parto). Andei vezes sem conta pelo corredor com o meu marido, e até recebi a maravilhosa visita de uma amiga que me fez uma massagem na zona lombar, fui ao duche todas as vezes que quis e até me deixaram usar a bola de pilates, mas a dilatação avançava a passo de caracol e devo ter demorado umas 8/9 horas para chegar aos 3 dedos de dilatação com as contracções já a apertar. Na zona onde estávamos o meu acompanhante tinha que sair à 9 da noite e eu só podia passar para a sala de partos depois de atingir os 3 dedos, começava a ficar nervosa de que o meu marido tivesse que ir embora estando eu já a chegar a um ponto de não suportar as dores. Até que cheguei aos 3 dedos mesmo na altura certa, e lá fomos nós para a sala de partos, teria querido ir pelo meu pé, mas já não consegui.
Em duas horas cheguei aos 8cm de dilatação, mas já eram 11 horas com contracções, e na sala de partos já não eram tão permissivos, tinha que estar constantemente ligada ao CTG (o que não permite muita margem de manobra), estava a chegar ao meu limite em dor e cansaço.
Num momento de debilidade pedi a epidural (que eu não queria levar e tinha pedido no plano de parto para não oferecerem) e apesar de já ter os 8cm, foi me logo administrada.
Devo fazer um aparte, e apesar de terem sido sempre respeitadas todas as minhas vontades (tirando o estar constantemente ligada ao CTG na sala de partos) e todas as enfermeiras me terem tratado com respeito e amabilidade, a anestesista que me deu a epidural foi arrogante e mal educada, e mal entrou o primeiro comentário que fez foi: "Não era esta a mãe que não queria a epidural?" como se a minha recusa fosse um ataque pessoal à sua pessoa. Estivesse eu no meu estado normal e tinha-lhe respondido como se merecia, mas precisava das minhas forças para coisas mais importantes. O tempo todo que esteve na sala comigo o seu tom e atitude foram sempre arrogantes, e os comentários à minha recusa da epidural uma constante, nunca lhe respondi, mas fiz tudo conforme me indicou pois não ia deixar que algo corresse mal com a epidural por minha culpa. Apesar de tudo ter corrido bem e a dor ter diminuído quase de imediato, fiquei desiludida de mim mesma.
A partir daqui vou descrever a expulsão para quem não quiser continuar a ler.
O processo de administração da epidural deve ter demorado uns dez minutos, e mal saiu a anestesista e enfermeira-parteira viu que já tinha a dilatação completa ("damn it!" foi o primeiro que pensei, mas estou consciente que o facto de ter estado relativamente relaxada durante a administração da epidural pode ter sido o que ajudou a que a dilatação fosse mais rápida), mandou o meu marido entrar e estando apenas os 3, perguntou se queria as luzes todas ligadas ou apenas as necessárias, a minha primeira resposta foi: "Tanto faz", mas ela voltou a perguntar e disse que quem decidia era eu, então pedi para ficar com pouca luz. Depois sentou-se aos pés da cama e guiou-me para fazer a força necessária para a bebé "encaixar" (whatever that means), penso que é quando a cabeça do bebé entra no canal de parto, mas não tenho a certeza, e a seguir preparou o que faltava para a expulsão, foi espectacular a maneira como me senti capaz de fazer tudo o que me dizia e a força que me transmitiu a enfermeira, em dada altura perguntou se queria sentir a cabeça da minha filha mesmo antes dela sair e foi uma sensação muito estranha, quando por fim saiu a cabeça e logo a seguir os ombros (nunca senti o chamado "anel de fogo") a enfermeira perguntou se queria puxar a minha filha, ganhei força não sei de onde, e da minha posição de semi-deitada (no início da expulsão a enfermeira disse que me podia pôr na posição que quisesse, mas o cansaço era tanto que fiquei quase deitada), levantei-me como se não estivesse cansada agarrei na minha bebé (que ainda tinha metade do corpo dentro de mim), e puxei para o meu colo.
Outro aparte, não posso . . . de maneira nenhuma . . . encontrar palavras para descrever o que senti e o que significou para mim poder fazer isto, e não há nada que tenha feito em toda a minha vida até agora que se iguale (não quer dizer que o parto do meu filho não tenha sido importante, e não influencia de maneira alguma o que sinto por ele), por isso se alguém não entende os motivos que me levam a dizer que foi algo maravilhoso para mim, não lhe vou poder explicar, ou se entende ou não se entende.
Não me recordo se ela chorou logo ou não, sei que estava de olhos abertos e que se mexia, a enfermeira perguntou se podia cortar o cordão, e pedi para aguardar mais uns minutos, pois tinha lido muito sobre os benefícios do corte tardio do cordão. Também não me recordo quantos minutos esperou nem me recordo se a placenta saiu antes ou depois de cortarem o cordão, mas lembro de me ter perguntado se a queria ver, e o que pensei é que é maior do que pensava. No momento de cortar o cordão perguntou ao Pedro se queria cortar e penso (infelizmente a memória falha em momentos de grande intensidade emocional) que ele hesitou mas acabou por aceitar. Desde que a puxei até que a levaram para vestir, esteve no meu colo junto ao meu peito, e quando a levaram o pai foi com ela. Depois de a levarem a enfermeira tratou da minha laceração, pois apesar de eu ter pedido para não fazerem episiotomia, como já tinha sido feito no primeiro parto, a pele rasgou no lugar da cicatriz.
Não foi o parto natural e humanizado que idealizei e não correu tudo como teria gostado, mas em comparação com o primeiro parto foi uma vitória, pois senti que a minha opinião e querer foram tomados em conta, e a abertura de mente da enfermeira não só para aceitar os meus pedidos, como para tornar a experiência o melhor, dentro do possível, foi de extrema importância!
Nasceu um pouco antes das 11h30 da noite, e ao igual que no primeiro parto, mal ela saiu, todas as dores e todo o cansaço desapareceram, e fiquei num tal estado de euforia que todo o mal-estar parece uma memoria longínqua.
Como combinado, no dia seguinte por volta do meio dia deram-me um comprimido para a indução, como o pai da criança tinha estado a trabalhar durante a noite só lhe liguei a essa hora.
Ter certezas em relação a como vai correr um parto é quase como ter a certeza sobre uma qualquer característica do bebe antes dele nascer, é impossível! Mas pensei que este seria um parto rápido, ou pelo menos mais rápido que o primeiro, porque isso é o que dizem.
Estava enganada.
Voltando ao inicio, liguei ao meu marido mal me deram o comprimido para induzir, e na minha inocência pensei que seria algo rápido, pois o primeiro tinha durado 7 horas em total. E de seguida entreguei o plano de parto que tinha feito, para ficar junto do meu processo, o qual foi bem aceite. Não estava presa à cama, nem ao CTG, nem ao soro, tinha autorização para andar, tomar duche e comer/beber (como solicitado no plano de parto). Andei vezes sem conta pelo corredor com o meu marido, e até recebi a maravilhosa visita de uma amiga que me fez uma massagem na zona lombar, fui ao duche todas as vezes que quis e até me deixaram usar a bola de pilates, mas a dilatação avançava a passo de caracol e devo ter demorado umas 8/9 horas para chegar aos 3 dedos de dilatação com as contracções já a apertar. Na zona onde estávamos o meu acompanhante tinha que sair à 9 da noite e eu só podia passar para a sala de partos depois de atingir os 3 dedos, começava a ficar nervosa de que o meu marido tivesse que ir embora estando eu já a chegar a um ponto de não suportar as dores. Até que cheguei aos 3 dedos mesmo na altura certa, e lá fomos nós para a sala de partos, teria querido ir pelo meu pé, mas já não consegui.
Em duas horas cheguei aos 8cm de dilatação, mas já eram 11 horas com contracções, e na sala de partos já não eram tão permissivos, tinha que estar constantemente ligada ao CTG (o que não permite muita margem de manobra), estava a chegar ao meu limite em dor e cansaço.
Num momento de debilidade pedi a epidural (que eu não queria levar e tinha pedido no plano de parto para não oferecerem) e apesar de já ter os 8cm, foi me logo administrada.
Devo fazer um aparte, e apesar de terem sido sempre respeitadas todas as minhas vontades (tirando o estar constantemente ligada ao CTG na sala de partos) e todas as enfermeiras me terem tratado com respeito e amabilidade, a anestesista que me deu a epidural foi arrogante e mal educada, e mal entrou o primeiro comentário que fez foi: "Não era esta a mãe que não queria a epidural?" como se a minha recusa fosse um ataque pessoal à sua pessoa. Estivesse eu no meu estado normal e tinha-lhe respondido como se merecia, mas precisava das minhas forças para coisas mais importantes. O tempo todo que esteve na sala comigo o seu tom e atitude foram sempre arrogantes, e os comentários à minha recusa da epidural uma constante, nunca lhe respondi, mas fiz tudo conforme me indicou pois não ia deixar que algo corresse mal com a epidural por minha culpa. Apesar de tudo ter corrido bem e a dor ter diminuído quase de imediato, fiquei desiludida de mim mesma.
A partir daqui vou descrever a expulsão para quem não quiser continuar a ler.
O processo de administração da epidural deve ter demorado uns dez minutos, e mal saiu a anestesista e enfermeira-parteira viu que já tinha a dilatação completa ("damn it!" foi o primeiro que pensei, mas estou consciente que o facto de ter estado relativamente relaxada durante a administração da epidural pode ter sido o que ajudou a que a dilatação fosse mais rápida), mandou o meu marido entrar e estando apenas os 3, perguntou se queria as luzes todas ligadas ou apenas as necessárias, a minha primeira resposta foi: "Tanto faz", mas ela voltou a perguntar e disse que quem decidia era eu, então pedi para ficar com pouca luz. Depois sentou-se aos pés da cama e guiou-me para fazer a força necessária para a bebé "encaixar" (whatever that means), penso que é quando a cabeça do bebé entra no canal de parto, mas não tenho a certeza, e a seguir preparou o que faltava para a expulsão, foi espectacular a maneira como me senti capaz de fazer tudo o que me dizia e a força que me transmitiu a enfermeira, em dada altura perguntou se queria sentir a cabeça da minha filha mesmo antes dela sair e foi uma sensação muito estranha, quando por fim saiu a cabeça e logo a seguir os ombros (nunca senti o chamado "anel de fogo") a enfermeira perguntou se queria puxar a minha filha, ganhei força não sei de onde, e da minha posição de semi-deitada (no início da expulsão a enfermeira disse que me podia pôr na posição que quisesse, mas o cansaço era tanto que fiquei quase deitada), levantei-me como se não estivesse cansada agarrei na minha bebé (que ainda tinha metade do corpo dentro de mim), e puxei para o meu colo.
Outro aparte, não posso . . . de maneira nenhuma . . . encontrar palavras para descrever o que senti e o que significou para mim poder fazer isto, e não há nada que tenha feito em toda a minha vida até agora que se iguale (não quer dizer que o parto do meu filho não tenha sido importante, e não influencia de maneira alguma o que sinto por ele), por isso se alguém não entende os motivos que me levam a dizer que foi algo maravilhoso para mim, não lhe vou poder explicar, ou se entende ou não se entende.
Não me recordo se ela chorou logo ou não, sei que estava de olhos abertos e que se mexia, a enfermeira perguntou se podia cortar o cordão, e pedi para aguardar mais uns minutos, pois tinha lido muito sobre os benefícios do corte tardio do cordão. Também não me recordo quantos minutos esperou nem me recordo se a placenta saiu antes ou depois de cortarem o cordão, mas lembro de me ter perguntado se a queria ver, e o que pensei é que é maior do que pensava. No momento de cortar o cordão perguntou ao Pedro se queria cortar e penso (infelizmente a memória falha em momentos de grande intensidade emocional) que ele hesitou mas acabou por aceitar. Desde que a puxei até que a levaram para vestir, esteve no meu colo junto ao meu peito, e quando a levaram o pai foi com ela. Depois de a levarem a enfermeira tratou da minha laceração, pois apesar de eu ter pedido para não fazerem episiotomia, como já tinha sido feito no primeiro parto, a pele rasgou no lugar da cicatriz.
Não foi o parto natural e humanizado que idealizei e não correu tudo como teria gostado, mas em comparação com o primeiro parto foi uma vitória, pois senti que a minha opinião e querer foram tomados em conta, e a abertura de mente da enfermeira não só para aceitar os meus pedidos, como para tornar a experiência o melhor, dentro do possível, foi de extrema importância!
Nasceu um pouco antes das 11h30 da noite, e ao igual que no primeiro parto, mal ela saiu, todas as dores e todo o cansaço desapareceram, e fiquei num tal estado de euforia que todo o mal-estar parece uma memoria longínqua.
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Amizades de oportunidade
Há uns dias, em conversa com o meu cunhado, mostrei-me desiludida de alguns amigos, que estão sempre muito ocupados, mas depois andam sempre a passear e em saídas. E pergunta-me ele: Se te tivessem convidado, terias ido? (como se dissesse que a culpa é minha por ter filhos).
Com um 99,9% de certeza a minha resposta teria sido que não, se me tivessem convidado, essencialmente porque normalmente são coisas que não dá muito jeito com crianças (como por exemplo ir jantar a uma tasca com pouco mais que petiscos, bebidas alcoólicas e mesas e bancos altos) e mesmo que seja apropriado é sempre complicado arranjar lugar para todos num carro, vamos ser honestos, ninguém que não tem filhos e se quer divertir vai sequer considerar a hipótese de convidar a passear/sair uma "amiga" com dois filhos pequenos de "atrelado".
E entendo, algumas vezes também me pergunto onde tinha a cabeça quando decidi ter filhos (são poucas vezes), que isto é muito complicado de gerir.
No entanto, amizades verdadeiras, são (como num casamento) para o fácil e para o complicado.
E tenho pensado que a grande maioria das amizades que fazemos em adultos são o que eu chamo "amizades de oportunidade", que basicamente são aqueles amigos que fazemos porque trabalhamos juntos ou moramos ao lado, ou que por qualquer motivo vemos muitas vezes e acabamos por conversar, combinar saídas e até convidar a festas de família e aniversários, mas quando deixa de existir o motivo que nos leva a ver com frequência, a amizade se vai desvanecendo. Não acho que seja um problema de agora, apesar que a Internet e as redes sociais criam a ilusão que a amizade continua. Talvez antes fazíamos um maior esforço para manter o contacto com algumas pessoas, mas é algo que sempre aconteceu.
Realmente não é a primeira vez que me acontece, mas não deixa de me entristecer ver que é tão difícil ter amizades verdadeiras, e apesar que sei que posso ligar e combinar algo e vai ser giro, não é uma amizade do "dia-a-dia", daquelas que mesmo não vendo a pessoa diariamente vamos falando, partilhando pequenas coisas que acontecem ou piadas que só essa pessoa vai entender. Uma amizade é para as coisas grandes e importantes, mas uma verdadeira faz-se das coisas pequenas.
Não me posso queixar, tenho grandes amigos e se precisar sei que não me falta ajuda e companhia, mas fez-me falta um amig@ para as coisas pequenas.
(Aviso já que não me encontro disponível para receber chamadas e mensagens de pena a perguntar se estou bem. Estou muito bem. E só para que fique claro, não me estou a queixar, a reclamar ou a exigir nada a ninguém, estou apenas (tristemente) a constatar um facto na minha vida, que até pode não ser comum á vida dos outros).
Com um 99,9% de certeza a minha resposta teria sido que não, se me tivessem convidado, essencialmente porque normalmente são coisas que não dá muito jeito com crianças (como por exemplo ir jantar a uma tasca com pouco mais que petiscos, bebidas alcoólicas e mesas e bancos altos) e mesmo que seja apropriado é sempre complicado arranjar lugar para todos num carro, vamos ser honestos, ninguém que não tem filhos e se quer divertir vai sequer considerar a hipótese de convidar a passear/sair uma "amiga" com dois filhos pequenos de "atrelado".
E entendo, algumas vezes também me pergunto onde tinha a cabeça quando decidi ter filhos (são poucas vezes), que isto é muito complicado de gerir.
No entanto, amizades verdadeiras, são (como num casamento) para o fácil e para o complicado.
E tenho pensado que a grande maioria das amizades que fazemos em adultos são o que eu chamo "amizades de oportunidade", que basicamente são aqueles amigos que fazemos porque trabalhamos juntos ou moramos ao lado, ou que por qualquer motivo vemos muitas vezes e acabamos por conversar, combinar saídas e até convidar a festas de família e aniversários, mas quando deixa de existir o motivo que nos leva a ver com frequência, a amizade se vai desvanecendo. Não acho que seja um problema de agora, apesar que a Internet e as redes sociais criam a ilusão que a amizade continua. Talvez antes fazíamos um maior esforço para manter o contacto com algumas pessoas, mas é algo que sempre aconteceu.
Realmente não é a primeira vez que me acontece, mas não deixa de me entristecer ver que é tão difícil ter amizades verdadeiras, e apesar que sei que posso ligar e combinar algo e vai ser giro, não é uma amizade do "dia-a-dia", daquelas que mesmo não vendo a pessoa diariamente vamos falando, partilhando pequenas coisas que acontecem ou piadas que só essa pessoa vai entender. Uma amizade é para as coisas grandes e importantes, mas uma verdadeira faz-se das coisas pequenas.
Não me posso queixar, tenho grandes amigos e se precisar sei que não me falta ajuda e companhia, mas fez-me falta um amig@ para as coisas pequenas.
(Aviso já que não me encontro disponível para receber chamadas e mensagens de pena a perguntar se estou bem. Estou muito bem. E só para que fique claro, não me estou a queixar, a reclamar ou a exigir nada a ninguém, estou apenas (tristemente) a constatar um facto na minha vida, que até pode não ser comum á vida dos outros).
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
Ser mãe é . . .
Há uma semana a ouvir falar do passeio à Quinta Pedagógica.
No dia do passeio chegar à escola 15 minutos antes da hora, ir buscá-lo à espera de ouvir tudo sobre como correu, e o primeiro que diz foi: Não fomos ao passeio porque o pneu do autocarro teve um furo, mas não faz mal, vamos amanhã!
Sair hoje de casa com tempo suficiente para chegar à mesma hora de ontem.
Ver o metro a ir embora ao chegar à estação e esperar 6 minutos pelo seguinte.
E o tempo a passar . . .
Depois de estar em várias paragens mais tempo do normal e um "turn off and on again", o metro avariar numa estação sem nenhuma outra alternativa senão esperar pelo seguinte com um menino à beira das lágrimas porque o autocarro se vai embora sem ele.
Ver o outro metro a chegar, abrir as portas e haver uma parede de gente, sem sair uma única pessoa, estando o cais cheio de todos os que saíram do metro avariado.
Respirar fundo, pedir desculpa e tentar espremer-me com a miúda presa ao peito e o miúdo pela mão.
Conseguir um lugar sentados, com duas crianças em cima, uma delas a gritar a pleno pulmão.
E o tempo a passar . . .
Chegar à nossa paragem e começar literalmente a correr mal abrem as portas, subir, sem parar, 4 lanços de escadas rolantes qual representação de "saídos das entranhas do inferno".
Apanhar o elétrico (que não é costume, mas estava mesmo a passar) para fazer 500 metros, e chegar à escola a tempo e horas (3 minutos depois da hora) com um sorriso de dever cumprido.
(Mal saí da escola até me falharam as pernas e mal conseguia respirar, mas não era eu que o ia deixar ficar mal, e a correria serviu para adormecer a miúda).
No dia do passeio chegar à escola 15 minutos antes da hora, ir buscá-lo à espera de ouvir tudo sobre como correu, e o primeiro que diz foi: Não fomos ao passeio porque o pneu do autocarro teve um furo, mas não faz mal, vamos amanhã!
Sair hoje de casa com tempo suficiente para chegar à mesma hora de ontem.
Ver o metro a ir embora ao chegar à estação e esperar 6 minutos pelo seguinte.
E o tempo a passar . . .
Depois de estar em várias paragens mais tempo do normal e um "turn off and on again", o metro avariar numa estação sem nenhuma outra alternativa senão esperar pelo seguinte com um menino à beira das lágrimas porque o autocarro se vai embora sem ele.
Ver o outro metro a chegar, abrir as portas e haver uma parede de gente, sem sair uma única pessoa, estando o cais cheio de todos os que saíram do metro avariado.
Respirar fundo, pedir desculpa e tentar espremer-me com a miúda presa ao peito e o miúdo pela mão.
Conseguir um lugar sentados, com duas crianças em cima, uma delas a gritar a pleno pulmão.
E o tempo a passar . . .
Chegar à nossa paragem e começar literalmente a correr mal abrem as portas, subir, sem parar, 4 lanços de escadas rolantes qual representação de "saídos das entranhas do inferno".
Apanhar o elétrico (que não é costume, mas estava mesmo a passar) para fazer 500 metros, e chegar à escola a tempo e horas (3 minutos depois da hora) com um sorriso de dever cumprido.
(Mal saí da escola até me falharam as pernas e mal conseguia respirar, mas não era eu que o ia deixar ficar mal, e a correria serviu para adormecer a miúda).
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