terça-feira, 30 de julho de 2019

Novo vocabulário

Estão a decorrer as férias da escola (a minha altura favorita do ano quando era miúda), e como mãe de uma criança que frequenta o primeiro ciclo numa escola pública, tenho que arranjar alternativas de onde deixar o meu filho, sendo que infelizmente nem eu nem o pai do meu filho temos direito às mesmas férias que têm as crianças.
Durante as primeiras 3 semanas deste mês, esteve numa espécie de campo de férias, em que há desde crianças de 6 anos, até adolescentes de 16/17 anos, o que inevitavelmente levou a que lhe fosse apresentado um novo vocabulário, não muito extenso, mas com imensas possibilidades de utilização, o que leva a que sejam ditas muitas vezes.
Que inclui:
- "Mano"
- "Tipo"
- "Ia man"

Obviamente estou delirante (not!).

A melhor parte é que a irmã de 2 anos e meio, que está em plena fase de aquisição de novas palavras e construção de frases com as novas palavras que vai ouvindo, nem sempre aplica as novas palavras que ouve no contexto certo, ou se calhar aplica.
O que leva ao seguinte cenário:

A Oriana levanta-se do chão onde estava a brincar, e começa a andar rápido para a casa de banho (tirou a fralda recentemente), e diz como se fosse o mais normal do mundo:
- "Ia man" tenho cocó!!

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Natural não significa fácil!

Voltando ao tema amamentação . . .
Estou em vários grupos de mães no FB, no entanto a minha máxima é apenas me manter em grupos que sigam as mesmas visões que eu do que penso ser correcto na maternidade. Não pretendo dizer que eu é que estou certa e os outros errados, mas não me agrada estar em grupos ou fazer conversa (entenda-se discutir) com pessoas com as quais não partilho a opinião. E apesar de que considero as redes sociais um vício, no nosso país em que já não temos aquela "aldeia" para ajudar a criar os filhos, acaba por ser uma forma de partilhar experiências com quem está a passar pelo mesmo que nós.
Infelizmente, o tema amamentação, é sempre motivo de discórdia, especialmente porque somos todos muito pouco empáticos uns com os outros (ou devo dizer: umas com as outras).
Uma das maiores "queixas" em relação à amamentação que mais se "ouve" nestes grupos é o facto da amamentação (e a maternidade em geral) ser muito romantizada (é tudo lindo, e maravilhoso, e cor de rosa, só que não!). E é verdade, quase todas as mulheres antes de serem mães, desconhecem as dificuldades em amamentar, porque efectivamente não se fala nelas.
Apesar da amamentação ser o melhor alimento que se pode dar a um bebé, e isso é indiscutível, mesmo que haja muita gente muito mal (in)formada por aí que diz o contrário, o certo é que não é fácil. Na verdade a amamentação, regra geral, é algo bastante difícil, para o qual é preciso muita força de vontade, paciência, e resistência. Este deve ser dos principais motivos que levam a que muitas mulheres deixem de amamentar logo nos primeiros dias/semanas, pois não estavam preparadas para algumas das dificuldades, e claro a quantidade extraordinária de mitos que rodeia a amamentação.
Mas que tão difícil pode ser pôr a mama na boca do bebe!?
Então:
- Os bebes nem sempre sabem mamar, e ao fazê-lo incorrectamente, magoam, fazem fissuras que doem e sangram.
- As mães não sabem ensinar o bebe a mamar correctamente, nem se apercebem que há um problema e ficam frustradas.
- O bebe que não mama correctamente não só magoa, como não se alimenta bem, e não consegue retirar o leite de que precisa para crescer.
- Como o bebé não dá vazão ao leite que o corpo da mãe produz, este acumula-se no peito, produzindo mais dor, e até pode levar a infecções.
- O ductos entopem, mesmo quando o bebé mama bem, e é preciso saber como desentupir.
- Mamar exige esforço de parte do bebe, mais do que muitos supõem, e cansam-se e adormecem.

Iniciar a amamentação pensando que é um processo simples e fácil, e "chocar" com a realidade, muitas vezes pensando que somos seres raros, é meio caminho andado para o fracasso da amamentação.
Não digo que estar informada vá fazer o caminho mais fácil, mas saber que fazemos parte da regra e não da excepção, ajuda a termos mais paciência e resistência para ultrapassar estas "pedras" no caminho.
Uma mulher informada que sabe que o inicio é difícil, mas que amamentar não é suposto doer, e se dói vai procurar ajuda, não é o mesmo que uma mulher que se depara com as mesmas dificuldades, mas pensa que enquanto a amamentação durar vai sofrer horrores, obviamente que vai desistir e ainda vai pensar que é um fracasso porque não consegue amamentar.
A informação é um bem precioso, mas como toda pedra preciosa, esta informação é preciso saber onde procurar, porque infelizmente não é dada a todas as grávidas como devia.


sábado, 20 de abril de 2019

O melhor elogio!

Depois de ter tido dois filhos (falo como se fosse um batalhão), considero me satisfeita com o meu corpo e aspecto no geral, apesar de ter ganho uma barriga, que não é flácida como o chamado "pneu", é mais bem inchada como uma barriga de gravidez de 3/4 meses.
Como sou magra, quando uso uma roupa mais justa, notasse bastante (especialmente depois de uma boa refeição), e já perdi a conta da quantidade de vezes que me perguntaram se estou grávida! Não adoro que me façam esta pergunta, obviamente, mas já não me chateia como antes.
Hoje foi uma dessas vezes, que me perguntaram, mas foi alguém de quem gosto muito, e que apesar das poucas vezes que nos vemos, sinto uma familiaridade e confiança que me permitiu brincar com a situação. Em modo de desculpa, esta pessoa respondeu: "Vejo te tão contente!" e percebi que é a segunda vez, nos últimos tempos,  que alguém comenta o mesmo. E no mesmo instante, respondi: "Pois estou!"
Fiquei ainda mais contente, e percebi que o melhor elogio que posso receber é este, a parte física não é nem de perto tão importante, como o transparecer algo tão bonito como a felicidade.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Recomendações oficiais

Há já algumas semanas que me tem custado muito escrever, não tenho um motivo, pois mantenho as minhas opiniões, o tempo é escasso mas existe, e o gosto por escrever mantém-se. Não quero abandonar o blogue pois, mesmo com poucos leitores, é um escape para mim.
Por isso vou concentrar os próximos post's num tema que me apaixona e a conselho de uma amiga, partilhar o pouco que sei com quem possa saber ainda menos: a amamentação.

Começarei com algo muito básico, as recomendações oficiais. As recomendações a nível internacional e nacional de parte da OMS (Organização Mundial de Saúde), a DGS (Direção Geral de Saúde) e a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), para a amamentação.
Então, o que é recomendado para todos os bebés em todos os países do mundo (e não só os do terceiro mundo) é que os bebes sejam amamentados (ou alimentados a leite adaptado) em exclusivo até aos 6 meses. Sem nenhum outro alimento, nem sequer água (para os que são amamentados em exclusivo), o leite materno cobre todas as necessidades alimentares e de hidratação, mesmo com temperaturas elevadas. Durante estes primeiros 6 meses não deve ser dado absolutamente mais nada (a não ser que seja necessário algum tipo de medicamento), claro que há sempre excepções, mas do que ouço, acaba por ser a regra dar outros alimentos (ou líquidos) antes dos 6 meses e não a excepção.
Depois dos 6 meses, deve ser introduzida a alimentação complementar, o mais saudável possível, "apresentando" os alimentos cozidos ou crus, sem sal nem açúcar, em papa ou puré ou no método BLW (baby led weaning), sem pressões nem obrigações, deixando o bebe experimentar e comer o que quer e a quantidade que quer, pois como o nome "complementar" diz, é um complemento ao leite materno, que até ao ano deve-se manter como a fonte principal de alimentação do bebe.
Continuando com as recomendações oficiais, a amamentação deve manter-se até aos dois anos no mínimo, e depois até mãe e filho/a quererem, levando, dentro do possível, a um desmame natural. Que pode dar-se entre os 4 e os 7 anos, mantendo sempre benefícios nutricionais assim como de proteção.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Trabalhar

Dizem que fazer o que gostamos, profissionalmente, é não ter que trabalhar mais na vida, como se a palavra "trabalhar" estivesse ligada á insatisfação laboral.
No entanto, e porque vivemos em sociedade, o "fazer" não é o único que influi na nossa satisfação, o ambiente que nos rodeia também tem (in)felizmente muita influencia.
Pois eu posso adorar o que faço, mas se não gosto com quem "trabalho" (salvo seja) não vou ser feliz. E não me venham dizer que posso ser trabalhador(a) independente, e trabalhar no que gosto, só eu. Aparentemente, neste país, trabalhador independente significa "milionário", pois as exigências são muitas e os direitos nenhuns, como se todas as mulheres trabalhadoras independentes ganhassem "rios de dinheiro" e se pudessem dar ao luxo de não trabalhar durante os 4 ou 5 meses que têm direito as trabalhadoras dependentes. Ou os homens trabalhadores independentes não adoecessem.
É muito triste que no nosso país (e falo de Portugal porque não conheço a realidade de outros países) a população em geral seja tão mesquinha, tão egoísta.
Como querem ou têm o descaro de exigir governantes justos, transparentes e honestos, se na maioria das vezes em empresas (ou departamentos) de 10 pessoas, mais de metade são desleais, falsos e maus colegas.

Nunca tive o sonho de ser "isto ou aquilo" (profissionalmente), e sempre que pensava em estudar qualquer coisa era com o intuito de ter um modo de ganhar dinheiro para viver, com algo o menos complicado possível, o único que sempre quis ser foi mãe, não sabendo eu que era dos "trabalhos" mais difíceis e exigentes que existe.

Neste momento trabalho por dois motivos, sendo que o primeiro é o mesmo de sempre, ganhar dinheiro para (sobre)viver, e o outro é para fazer alguma coisa só minha, sem a "tribo" atrás, costumo dizer que vou descansar do meu "trabalho" de ser mãe. Mas ser mãe é e sempre será a minha ocupação e o que irá sempre proporcionar valor á minha vida. Não o valor que é dado pelo que recebo monetariamente (que é nada), ou o valor que é dado pela sociedade, mas o valor que eu lhe dou como sendo o que sempre sonhei fazer.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Uma Historia

Conheço a história de uma menina (que já é mulher) que me tem vindo á memória estes últimos dias.
Esta menina tinha 7 anos na altura, era um tanto Maria Rapaz e gostava das brincadeiras dos meninos e de andar com eles (a explorar, correr, subir a árvores, etc), na zona onde morava havia um grupo de meninos alguns da idade dela, outros um bocadinho maiores, e ela andava sempre atrás deles.
Um dia os meninos quiseram experimentar aquilo do sexo e como só havia uma menina, experimentaram com ela. Ninguém a obrigou a nada e não foi maltratada. Ela simplesmente não sabia e deixou, porque queria brincar com eles.
Durante muitos anos guardou aquilo em segredo, e durante muito tempo guardou por vergonha, porque na sua cabeça a culpa tinha sido dela, porque ela deixou.
Um dia contou me isto em confidência, e na conversa percebeu que uma criança de 7 anos não consegue perceber ou consentir, e a culpa nunca foi dela. Continuou a guardar o segredo por outros motivos.
Esta história é real, e de alguém que eu conheço pessoalmente.
Não sei se "foi obrigada a dar beijinhos aos avós" ou se lhe faltou alguma coisa durante a infância, só sei que nunca ninguém lhe disse: "o teu corpo é teu e só tu deves tocar nele até teres idade suficiente para perceber o que é o consentimento", "se alguém tentar tocar em ti, diz a alguém com quem sintas confiança".
São duas coisas muito simples de ensinar, mas na cabeça de uma criança não é tão fácil de perceber, especialmente se é obrigada a dar beijinhos a quem não quer, porque uma criança de 7 anos (muito mais uma menor) nem sempre sabe ver a diferença entre um beijinho na bochecha e um beijinho no canto da boca, ou não percebe a diferença entre o beijinho que não quer dar na avó ou o beijinho que não quer dar (ao primo, tio, amigo, conhecido etc) a outra pessoa e vai achar que é sempre obrigação, ou que não precisa de deixar usar o seu corpo para poder brincar com as outras crianças, pois não têm a mesma noção que um adulto tem. Esta obrigação do beijinho é a diferença entre uma criança que sabe que a sua recusa é respeitada e no momento que algo fora do normal acontece, fala logo com alguém e a coisa fica por ali, e a criança que pensa que não pode recusar certas coisas e passa anos a ser abusada porque é obrigada a dar/receber beijinhos a quem não quer.
Honestamente não vejo a dificuldade em entender que a criança deve ter o direito de recusar o contacto físico com qualquer pessoa, assim como tem a obrigação social de cumprimentar educadamente.
Mas só para que fique claro, dar beijinhos, abraços e afecto a quem gostamos é maravilhoso e aqui ninguém disse que devemos proibir os beijinhos aos avós, quando são por gosto devemos incentivar, e fazer saber tanto verbalmente como por gestos a quem amamos, que os amamos.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Perspectivas

Normalmente quando ouvimos as palavras "fim de semana comprido" o sentimento é bom.
Mas este fim de semana que passou, sendo que o pai dos meus filhos estaria a trabalhar todos os dias das 7 ás 19h, não se vislumbrava grande coisa.
Só não pensei que (da minha perspectiva) fosse uma bosta (para não dizer asneiras)!
Logo na noite de quinta para sexta começou mal, só dormi 3 horas entre as 3h e as 6h, sendo que entre as 22h e as 3h a princesa ia intercalando pequenos sonos, com choro e vómitos.
O dia de sexta correu bem, e até fui almoçar a casa de uma amiga, a parte complicada foi ir de transportes (metro e autocarro), com uma criatura "attached" ao meu peito, que a cada tossezinha me deixava numa ansiedade de pensar que me ia vomitar toda, mas tal não aconteceu.
Sábado foi passado em casa sem grandes eventos, ao fim do dia fomos ao Colombo buscar (por fim) os livros do rapaz que entrou este ano para o Primeiro Ano, e acabámos por lá jantar com uns amigos.
Na noite de sábado para domingo, e sem nada que fizesse prever, pois o jantar tinha corrido bem, acordo ás 2h com o Gabriel a chorar, e vou dar com ele, a cama e os peluches todos vomitados (coisa que nunca tinha acontecido com ele, pois ele muito raramente vomitou nos seus 6 anos de vida).

Um aparte, eu não vomito, ou posso contar com os dedos de uma mão as vezes que vomitei (que tenha memoria) na minha vida. E por conseguinte não me considero pro em limpar vomito.
Este fim de semana limpei mais do que me recordo.

O Gabriel ainda vomitou mais duas vezes e estive com ele umas 3 horas acordados. Na manhã seguinte dormiu até ás 10h, e passou o dia de domingo mais quieto, e comeu pouco. Mas no fim do dia, tanto ele como ela estavam bem e com energia, já eu estava completamente esgotada, e comecei a ficar enjoada, com tonturas e dores de barriga, acabei por não jantar com receio de vomitar (o qual acabou por não acontecer) mas a noite foi complicada e tive que tomar um chá e um paracetamol para as dores de barriga.

Na segunda-feira, crianças bem dispostas para a escola, e eu toda "esfarrapada" para o trabalho (ainda dormi mais uma hora de manhã depois de os deixar na escola e antes de ir trabalhar).
Chego ao trabalho toda compadecida de mim mesma, á espera de partilhar o meu "sofrimento" e que se compadecessem de mim, mas antes de contar o meu "drama", pergunto á minha colega como tinha passado o seu fim de semana, e com lágrimas nos olhos, ela me responde "O meu melhor amigo morreu"!!
Toda a minha auto-compaixão se desvaneceu num instante, já nada do que fez do meu fim de semana uma bosta, era importante, todos estávamos bem. O meu único pensamento durante a tarde, foi que daqui a um ano, este meu fim de semana provavelmente já não estará na minha memória, mas para a minha colega vai fazer um ano que perdeu um grande amigo e será com certeza uma data que não vai esquecer.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O peso de um filho

Comecei a trabalhar há quase 3 meses, mas mesmo durante esse tempo sempre que não estava no trabalho, estava com a minha filha (sendo que o meu filho já está na escola, e atl´s e afins), por isso posso dizer que a minha filha tem sido (quase) uma parte de mim, e há 21 meses que não sei o que é estar sem ela.
Andar eu (sozinha) com os meus filhos na rua, e em transportes, é sempre com ela no pano (ou mochila) pois apesar de ela andar muito bem, nem sempre quer dar a mão, ou ir para onde temos que ir, ou andar se não quer, e não sendo um peso pesado, já pesa.
Na passada quinta-feira entrou para a creche. Posso dizer que tem corrido bem, mas não é tempo suficiente para grandes certezas, vamos um dia de cada vez. Como trabalho em part-time, vai haver algumas horas em que ela estará na creche mas eu ainda não estarei a trabalhar. Quando a deixo na escola e volto para casa, sinto falta do peso dela, e em casa então, não sei o que é estar em casa sem a ouvir.
Queixo-me de tudo a torto e a direito, e os meus filhos não são excepção, queixo-me do barulho que fazem, do chatos que são, das asneiras que fazem, mas a falta que fazem quando não estão, é muito superior a tudo o que me queixo deles. Já não sei estar sem eles, e até o peso de os carregar (uma "às costas" o outro pela mão) faz falta para me sentir bem.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Ser ou não ser!

Acredito a cima de tudo que cada pessoa tem direito a decidir sobre o seu próprio corpo e decidir o que é ou não melhor para si (ou quem quer que seja afectado pelas suas decisões), seja homem ou mulher. Por isso, e só por isso, acredito que o aborto deve ser legal.
Mas da teoria à prática há uma grande distância. E saber uma coisa difere muito de fazer essa coisa.
Como já disse antes, nunca fiz nem nunca estive numa situação em que o aborto fosse uma opção, nunca sofri sequer um aborto espontáneo. Estive grávida duas vezes na vida e tenho dois filhos lindos e saudáveis (sei a sorte que tenho)!
Não sei, nem quero saber como reagiria se estivesse grávida sem possibilidade económica ou psicológica para manter uma criança (mas para isso existem os métodos anticonceptivos), e muito menos quero saber a minha reação a um filho doente em uma gravidez desejada.
Tudo isto, porque por primeira vez na minha vida ouvi alguém a dizer "a minha filha de 22 anos está grávida, e não sabe de quanto tempo. Ela quer abortar e eu quero que ela aborte pois não tem "vida" para ter um bebé, e será um grande desgosto se já não for a tempo de abortar". E apesar de que da minha boca saíram as palavras "sim, se acham que é o melhor, tenham apenas atenção que em Portugal o aborto só é legal até às 10 semanas e é obrigatório 3 dias de reflexão", mas na minha cabeça só ressoavam as palavras "como têm coragem de matar ou desejar a morte de um bebé!". Não é minha intenção julgar ou opinar sobre a vida dos outros, mas nunca tinha sido directamente confrontada com um aborto antes dele acontecer, nesta circunstância e com estas palavras, e sou honesta, não consigo concordar.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Brinquedos para crianças

O meu anjinho lindo fez 6 anos (what???), e está um crescido, já lê muito bem, escreve mais ou menos e faz contas simples, em Setembro vai para o primeiro ano e é muito responsável na escola.
Ele não é de pedir muitos brinquedos, e vai mudando o que quer cada semana, e sempre que vamos ao supermercado lembra-se de pedir algo, normalmente diferente da vez anterior. Por isso nos anos (e natal) nem sempre é fácil saber o que lhe comprar, nas últimas semanas tem trocado algumas vezes e chegou a pedir um balde de pipocas como prenda de anos.
Há cerca de 1/2 semanas disse que queria um bebé (um de brincar), pediu que viesse com biberão (porque ele não tem maminhas com leite) e como falou várias vazes do assunto achei que era uma boa prenda. Acabei por não ser eu a comprar porque entretanto houve alguns familiares e amigos que me perguntaram o que podiam oferecer, e eu escolhi alguém que sabia, que não iria ficar escandalizado, por um menino de 6 anos querer uma boneca (um bebé, segundo ele).
O "bebé" é de uma marca conhecida de bebés de brincar e vem com biberão e chucha, e ele adorou, na primeira noite até quis dormir com ele. E eu fiquei contente de ver que o exemplo e educação que lhe damos, lhe permite pedir qualquer brinquedo sem receio ou preconceito de pensar que não é um brinquedo adequado para ele, sendo que ele mesmo diz que não há brinquedos para menina ou para menino, há brinquedos para crianças, que ele tem todo o gosto em partilhar com a mana . . . . . de vez em quando.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Cama de casal

Como é que não é de conhecimento geral que a cama/quarto de um casal é o sítio mais privado que existe numa casa?
Como já disse outras vezes, sou uma pessoa muito privada, com a minha vida e com a minha casa. E se há coisa que não suporto é que alguém entre no meu quarto sem pedir ou sem ser convidado, e muito menos se sentem/deitem na minha cama.
Vamos lá ver se me consigo explicar, a cama é como a roupa interior de uma casa, e a roupa interior não se troca nem empresta. Há pessoas que não se importam ou não lhes afecta, e entendo isso, não somos todos iguais, mas não é porque a uma pessoa não lhe faz diferença que essa pessoa vai "violar" a privacidade dos outros, é uma questão de respeito. Todas as camas se devem respeitar como o santuário de cada um, já seja criança ou adulto, solteiro ou um casal. Sei que isto pode soar muito picuinhas da minha parte, mas isto é algo de extrema importância para mim, tanto que não só não gosto que se sentem/deitem na minha cama, como não gosto de o fazer na cama dos outro, especialmente camas de casal (não me refiro ao tamanho da cama, mas ao facto de lá dormir um casal). Obviamente às vezes é necessário, mas é algo que apenas faço se tiver sido convidada.
No caso das camas das crianças, que gostam de receber e brincar com os amigos no quarto e cujas noções de privacidade são mais amplas, acredito que se deva ter o mesmo respeito, mas acaba por ser um pouco menos grave, claro dependendo da própria criança.
A questão deste texto, é que não entendo como é que isto não é uma regra (de etiqueta?) mais divulgada e/ou conhecida, e é quebrada com grande frequência?
Será que actualmente o respeito (neste caso por amigos e familiares, pessoas que normalmente vão a nossa casa) não existe?



sábado, 12 de maio de 2018

Bendito babywearing.

O dia começou bem, saimos de casa a horas e sem birras ou imprevistos. Chegamos à estação mesmo quando o metro estava a chegar e foi só preciso uma corridinha, e até arránjamos lugar juntos. Duas paragens e a aventura começou, a circulação ficou interrompida por 20 minutos sem previsão de reinício. Quando voltou a andar em cada paragem informava que por motivos técnicos com a sinalização, a última paragem seria a da Praça de Espanha, só lá chegámos 40 minutos depois de termos entrado no metro. Ficamos uns minutos sentados na estação, mas continuavam a informar que não tinham previsão para reiniciar a circulação e que podia ser demorado, entretanto iam chegando metros dos quais saia toda a gente. Perguntei ao Gabriel se queria tentar ir de autocarro (não conheço os percursos), mas lá fora decidi seguir a "procissão" que se dirigia para a estação de São Sebastião, o que nos permitia apanhar a linha vermelha e depois a verde para chegar à baixa-chiado. Quando chegamos à baixa-chiado até tive que morder a língua para não dizer asneiras, porque depois de todo o nosso desvio, a linha azul já estava a funcionar. Só o consegui deixar na escola mais de uma hora depois do que é costume. E tudo isto com 10kg de pessoa pendurados ao peito.
Nunca fui de nenhuma maneira ofendida, gozada ou sequer ouvi a sugestão de que o babywearing não é seguro/cómodo/apropriado para mim ou a minha filha nos seus 17 meses de vida, já li muita parvoíce em artigos de opinião, já ouvi histórias de quem foi ofendida ou gozada e (maldito mau-feitio) há dias que quase espero que alguém me faça um comentário estúpido. Não quero nem imaginar como seria uma manhã como esta sem o babywearing, com ela ao colo, ou com um carrinho atrás, ou mesmo qualquer outra manhã/tarde em que tenho que levar/buscar o meu filho à escola de transportes, numa estação de metro com 4 lanços de escadas sem elevador. Para quem acha que marsupios é a mesma coisa que babywearing está muito enganado, carregar um bebé diariamente mais de uma hora por dia durante ano e meio num marsupio pode não fazer mal (que acredito que faça) mas é extremamente incómodo tanto para o bebé como para quem carrega, e agradeço todos os dias a sorte que tive de quando procurei a melhor opção, não só encontrei como fui bem aconselhada.

terça-feira, 20 de março de 2018

Tão bom rapaz que ele é e foi arranjar uma mulher tão chata!

Há com certeza quem pense que o Pedro poderia ter arranjado bem melhor (if you know what I mean), que a mulher dele é uma chata e que se calhar ainda vai a tempo de trocar por uma mais agradável e menos refilona.
Sei disso, não que alguém me tenha dito isto pessoalmente, mas a questão é que posso ser muitas coisas, só que parva não consta na minha lista de defeitos.

Consigo também perceber que sou chata, mas infelizmente não tenho qualquer intenção de o deixar de ser, pelo menos neste tema.

Há cerca de uma semana atrás a professora do Gabriel ligou para nós, para pedir que o pai fosse ontem (dia do pai) passar algum tempo (uma hora, duas, uma manhã ou o dia todo) na escola com o Gabriel, e que até davam uma justificação para entregar no trabalho. Mas o pai, era suposto estar a trabalhar esse dia (das 7h às 19h), e as justificações não servem de nada no trabalho dele: não vai, não recebe o dia, e não gostam porque precisam de arranjar quem substitua.
Mas o Pedro lá arranjou maneira de trocar o dia com um colega, e ficar de folga (eventualmente irá trabalhar numa folga para compensar o colega), que é algo que ele não costuma nem gosta de fazer, por mais que a ele sempre lhe peçam trocas e baldrocas quando os outros precisam.

Nos dias anteriores o Gabriel perguntou várias vezes se faltava muito para dia 19, e na noite anterior estava com uma tal expectativa, que ao deitar disse que desejava que já fosse hora de ir para a escola.
Ontem de manhã, lá foram os dois, e passou lá umas duas horas, e depois à tarde foi mais umas duas horas. O Gabriel adorou e o pai também.

A partir de hoje, e até ao início de Abril, o pai vai estar a trabalhar sem folgas, 12 horas ou de dia ou de noite, e invariavelmente vou ouvir a pergunta: "quando é que o pai chega?" ou vou ver duas crianças a correr para a porta cada vez que ouvem alguém na escada. Mas infelizmente isto não é algo que acontece raramente, isto é algo que faz parte da nossa vida familiar no dia-a-dia, nem sempre é sem folgas, mas o tempo em família é sempre substancialmente menor que o tempo no trabalho.

Por tudo isto, estou me bem a c@g@r se acham que sou chata (para não usar um termo pior), ou que o "coitado do Pedro" casou com uma maluca que não o deixa fazer nada, mas enquanto as coisas continuarem iguais eu vou reclamar, e fazer cara de "poucos amigos" e refilar mais um bocadinho cada vez que ele me disser que vai (ou quer ir) a um jantar, jogo, reunião, saída de amigos, ou qualquer coisa (seja de lazer, trabalho ou de ajuda) que não me inclua a mim e aos filhos dele!

Capisce!?

quinta-feira, 8 de março de 2018

Dia de oferecer florzinhas às mulheres

Hoje, dia Internacional da Mulher, andei na rua, para ir levar de manhã e buscar à tarde o meu filho à escola. Fui e vim de metro as duas vezes, e vi muita gente, e também vi muitas mulheres com flores, e muitos homens com ramos e pequenos saquinhos de presente para oferecer, e ao fim do dia já não sabia se era dia da mulher ou dia dos namorados ou dia da mãe.
E então percebi, que realmente é outro "dia do comerciante", como o dia da mãe, do pai, da criança, etc, que provavelmente foram implementados com propósitos como lembrar os direitos, ou prestar homenagem, mas o verdadeiro significado perdeu-se no meio de todo o marketing de bugigangas que nos são enfiados pelos olhos adentro, e não consigo mais que ficar triste e desiludida que o verdadeiro significado deste dia se tenha perdido de tal forma que uma mulher seja maltratada: físicamente, emocionalmente, mentalmente, profissionalmente, todos os dias do ano, e uma mísera flor um dia por ano é suficiente!
Para presentes tenho os meus anos, ou qualquer outro dia sem motivos específicos, no dia da Mulher e da Mãe (já que estamos nisto) quero direitos, quero igualdade, quero respeito.
No dia da Mulher não se festeja o ser mulher (isso festejo todos os outros dias) no dia da Mulher luta-se pela possibilidade de um dia não ter que ouvir a pergunta: "tem ou pensa vir a ter filhos próximamente?" numa entrevista de emprego!

sexta-feira, 2 de março de 2018

Preciso de chocolate . . . para não deprimir.

O pai dos meu filhos trabalha por turnos, o qual quer dizer que é difícil haver rotinas cá em casa, mas mesmo assim tento.
A hora de dormir é uma rotina que tento manter, quer o pai esteja em casa quer não. Quando o pai não está, tento deitar o Gabriel às 21h, e logo a seguir vou deitar a princesa que demora mais.
Mas hoje como é sexta, e ele estava a ver um filme (pela 5 vez na última semana), achei que podia ir deitar a miúda e depois ia deita lo com mais tempo e ler uma história calmamente (com ela nem sempre é possível).
Mas não correu como planeei, ela demorou quase uma hora, como sempre. Mas quando saí do quarto em vez de o encontrar na sala a ver tv, fui dar com ele na cama, com a luz apagada e tapado a dormir ferrado.
E fiquei triste que adormeceu sozinho, sem história, sem beijinho, sem boa noite. Senti que lhe falhei. Ao mesmo tempo senti orgulho porque o meu bebé grande é um  crescido com autonomia suficiente para se ir deitar sozinho. Sempre foi muito independente e já o demonstrou várias vezes, mas não estou preparada para ele ir dormir sozinho, sem história, sem beijinho, sem boa noite.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Opiniões controversas

Depois de algumas semanas de ausência, volto "on fire" com um dos temas que me levou a querer fazer o blog, daqueles que geram polêmica, devido à minha posição um tanto "preto e branco". Daqueles (temas) que normalmente prefiro não falar porque levam a discussão e não gosto de discutir, especialmente quando não vou mudar de opinião.
Só para haver um bocadinho de "background", fui criada num ambiente de zero álcool, por alguém que provavelmente ultrapassou em diversas vezes a seu "fair share" de ingestão alcoólica. Quando me vi sozinha noutro país, e já tendo há muito, mais que idade legal para beber, deixei me levar, mais que tudo pela curiosidade e a liberdade de fazer o que eu quisesse. Mas decobri que não gosto de beber, não me sinto bem fisicamente, apenas gosto de gostinho doce de algumas bebidas (coisa que posso ter com qualquer bebida doce não alcoólica).
Não tenho uma visão tão "puritana" em que não aceito ou não tolero nem uma gota de álcool, mas . . . e esta é a opinião que gera polêmica . . . do meu ponto de vista qualquer pessoa que beba "on a regular basis" é alcoólico! Ou tem uma certa dependência.
Atenção que digo isto como alguém que tem uma completa dependência ao açúcar, e não consegue passar nem um dia sem comer doces.
Mas a minha dependência afecta apenas a minha saúde, e quando muito a dos meus filhos que provavelmente vão fazer o que eu faço e não o que eu digo. O meu grande problema com o álcool é que quem bebe perde e altera as suas capacidades física, mental e emocional. E em muitos casos o álcool mata e, infelizmente, não falo só de quem bebe.
Claro que muita gente bebe só um pouco sem chegar ao ponto do "não retorno", mas se o fazem todos os dias, ou todos os fins de semana ou em todos os "jantares com amigos" e simplesmente não conseguem dizer "não", que me desculpem, mas eu chamo a isso um alcoólico.
Uma (ou duas) bebidas num aniversário, um champanhe no fim de ano, um copo de vinho num jantar especial é mais que natural e até saudável (ou o CÁLICE de vinho por dia que faz bem ao coração, dizem). Agora não me venham com "bullshit" de que "eu não me embebedo", ou "eu só bebo socialmente" (quando a vida social é todos os fins de semana) ou "ajuda a ficar mais desinibido".
Esta é a minha opinião sobre as bebidas alcoólicas, não faz com que goste menos das pessoas que bebem mas também não vai mudar.

domingo, 31 de dezembro de 2017

O que é isso?

Nunca na minha vida fiz um balanço do ano que está a terminar (ou algo que se pareça), mas talvez devesse, dizem que é liberador e ajuda a perceber o que queremos para o próximo ano, não em modo "resoluções de ano novo" mas em modo "coisas a fazer para melhorar a minha vida"!
Então, foi um bom ano no geral, o único que não me agrada e que gera muito conflito familiar é que o tempo que o pai da família não está conosco é muito superior ao que está. Mas mesmo gerando conflito é algo que não tenho intenção de deixar de reclamar.
Foi o primeiro ano (desde que entrei no mercado laboral) que passei o ano inteiro sem trabalhar fora de casa, e não me arrependo nem um pouco. A primeira metade estava de licença oficial, e a segunda metade foi, o que a meu ver devia ser a continuação da licença. Mas sorte a minha que tive este privilégio, o de ser despedida (ah, desculpem, de o meu contrato não ter sido legalmente renovado) por ter tido um bebé. Percebi o que quero e o que não quero para a minha família e vou procurar que o que quero aconteça mais vezes.
O mais importante do meu ano foi, sem dúvida, poder acompanhar o crescimento dos meus filhos diariamente, e saber que estão bem e saudáveis. Agora só falta que o pai dos meus filhos possa ter o mesmo privilégio que eu, não sei se será no próximo ano, mas vou fazer por isso.
A parte menos boa deste ano foi no campo das amizades e apesar de ter ganho novas amigas (virtuais, mas muito presentes e importantes), voltei a perceber o delicada que é a amizade, e como por coisas insignificantes nos afastamos de amigos. É triste mas é a realidade, e mesmo sendo algo que já não é a primeira vez que me acontece, não deixa de magoar, e apesar que sou pessoa que perdoa rápido (mesmo que não pareça), não esqueço, o que não permite que as amizades voltem ao mesmo. Se vou mudar ou se alguma coisa vai ser diferente neste tema, não sei. Só sei que eu e o que me faz sentir bem vai estar sempre em primeiro. Um conselho para o novo ano: não gostas de mim, faz me saber, "don't pretend", prefiro saber e até tentar mudar (se for caso para isso) do que levar com a hipocrisia de quem não gosta de mim.
Como disse, no geral foi um bom ano, calmo e sem grandes mudanças. Foi um ano de introspeção.
Espero com entusiasmo o que 2018 me trouxer.
Este balanço foi puramente pessoal, e não espelha de maneira nenhuma os acontecimentos na vida de familiares, amigos, conhecidos ou desconhecidos no panorama nacional e mundial.



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Ser tia

Do meu ponto de vista existem 3 possibilidades para se ser tia/tio.
Os filhos dos nossos irmãos fazem de nós tios de verdade, e isto infelizmente nunca vou ser. Sempre achei que as pessoas casadas com os meus tios/tias não eram realmente meus tios, não é algo que eu diga por mal ou de forma depreciativa, é apenas que acho que são tios de casamento, mas não sei como funciona isto legalmente.
E por último existem os tios postiços, quer dizer, aqueles amigos do peito que consideramos como "irmãos" e muitas vezes passam mais tempo conosco que a própria família, e chegam em muitos casos a substituir os tios verdadeiros.
Como já disse, nunca vou ser tia de verdade e é algo que mexe muito comigo. Talvez um dia seja tia por casamento, mas por enquanto não está à vista.
O que realmente nunca pensei foi ficar tão ansiosa e entusiasmada em ser tia postiça. Está para acontecer a qualquer momento e estou constantemente a ver o telemóvel, tento dar conselhos que não sejam muito chatos e apoiar as decisões.
Acredito realmente que os amigos são a família que escolhemos e tanto como os meus filhos têm tios postiços que são importantes na vida deles, espero ser uma boa "tia" e estar à altura do desafio.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Nem tudo o que parece é!

É engraçado dar nos conta que a ideia que temos de nós mesmos não coincide de todo com a opinião que têm os outros, e tenho vindo a perceber isto num assunto em particular últimamente.
Sou uma pessoa muito insegura, e desde a minha adolescência tenho vindo a aperfeiçoar a minha capacidade de não me importar com o que os outros pensam de mim, mas no fundo, bem escondida, a vozinha que questiona tudo o que eu faço continua lá.
Depois de vários comentários em nada relacionados a mim directamente e de diferentes pessoas, notei que geralmente as pessoas me vêm como alguém muito segura de si mesma, e isto dá-me vontade de rir, é quase como chegar a um lugar onde ninguém me conhece, dizer que sou cirurgiã, e sem nunca fazer nenhuma cirurgia todos dizerem o boa que sou no meu trabalho. E este post é só para lembrar que alguém que parece ser forte e muito segura nem sempre é, só desenvolveu uma grande capacidade para fingir que é.

sábado, 14 de outubro de 2017

O parto da Oriana (parte II)

Como já disse (parte I aqui), infelizmente ter planos para um parto não é de todo indicação de como vai correr, e muitas coisas que queria foram eliminadas logo de inicio, como um parto na água (não sendo possível no SNS, o privado não era opção), ou esperar pelo inicio espontâneo do trabalho de parto.
Como combinado, no dia seguinte por volta do meio dia deram-me um comprimido para a indução, como o pai da criança tinha estado a trabalhar durante a noite só lhe liguei a essa hora.
Ter certezas em relação a como vai correr um parto é quase como ter a certeza sobre uma qualquer característica do bebe antes dele nascer, é impossível! Mas pensei que este seria um parto rápido, ou pelo menos mais rápido que o primeiro, porque isso é o que dizem.
Estava enganada.
Voltando ao inicio, liguei ao meu marido mal me deram o comprimido para induzir, e na minha inocência pensei que seria algo rápido, pois o primeiro tinha durado 7 horas em total. E de seguida entreguei o plano de parto que tinha feito, para ficar junto do meu processo, o qual foi bem aceite. Não estava presa à cama, nem ao CTG, nem ao soro, tinha autorização para andar, tomar duche e comer/beber (como solicitado no plano de parto). Andei vezes sem conta pelo corredor com o meu marido, e até recebi a maravilhosa visita de uma amiga que me fez uma massagem na zona lombar, fui ao duche todas as vezes que quis e até me deixaram usar a bola de pilates, mas a dilatação avançava a passo de caracol e devo ter demorado umas 8/9 horas para chegar aos 3 dedos de dilatação com as contracções já a apertar. Na zona onde estávamos o meu acompanhante tinha que sair à 9 da noite e eu só podia passar para a sala de partos depois de atingir os 3 dedos, começava a ficar nervosa de que o meu marido tivesse que ir embora estando eu já a chegar a um ponto de não suportar as dores. Até que cheguei aos 3 dedos mesmo na altura certa, e lá fomos nós para a sala de partos, teria querido ir pelo meu pé, mas já não consegui.
Em duas horas cheguei aos 8cm de dilatação, mas já eram 11 horas com contracções, e na sala de partos já não eram tão permissivos, tinha que estar constantemente ligada ao CTG (o que não permite muita margem de manobra), estava a chegar ao meu limite em dor e cansaço.
Num momento de debilidade pedi a epidural (que eu não queria levar e tinha pedido no plano de parto para não oferecerem) e apesar de já ter os 8cm, foi me logo administrada.
Devo fazer um aparte, e apesar de terem sido sempre respeitadas todas as minhas vontades (tirando o estar constantemente ligada ao CTG na sala de partos) e todas as enfermeiras me terem tratado com respeito e amabilidade, a anestesista que me deu a epidural foi arrogante e mal educada, e mal entrou o primeiro comentário que fez foi: "Não era esta a mãe que não queria a epidural?" como se a minha recusa fosse um ataque pessoal à sua pessoa. Estivesse eu no meu estado normal e tinha-lhe respondido como se merecia, mas precisava das minhas forças para coisas mais importantes. O tempo todo que esteve na sala comigo o seu tom e atitude foram sempre arrogantes, e os comentários à minha recusa da epidural uma constante, nunca lhe respondi, mas fiz tudo conforme me indicou pois não ia deixar que algo corresse mal com a epidural por minha culpa. Apesar de tudo ter corrido bem e a dor ter diminuído quase de imediato, fiquei desiludida de mim mesma.
A partir daqui vou descrever a expulsão para quem não quiser continuar a ler.

O processo de administração da epidural deve ter demorado uns dez minutos, e mal saiu a anestesista e enfermeira-parteira viu que já tinha a dilatação completa ("damn it!" foi o primeiro que pensei, mas estou consciente que o facto de ter estado relativamente relaxada durante a administração da epidural pode ter sido o que ajudou a que a dilatação fosse mais rápida), mandou o meu marido entrar e estando apenas os 3, perguntou se queria as luzes todas ligadas ou apenas as necessárias, a minha primeira resposta foi: "Tanto faz", mas ela voltou a perguntar e disse que quem decidia era eu, então pedi para ficar com pouca luz. Depois sentou-se aos pés da cama e guiou-me para fazer a força necessária para a bebé "encaixar" (whatever that means), penso que é quando a cabeça do bebé entra no canal de parto, mas não tenho a certeza, e a seguir preparou o que faltava para a expulsão, foi espectacular a maneira como me senti capaz de fazer tudo o que me dizia e a força que me transmitiu a enfermeira, em dada altura perguntou se queria sentir a cabeça da minha filha mesmo antes dela sair e foi uma sensação muito estranha, quando por fim saiu a cabeça e logo a seguir os ombros (nunca senti o chamado "anel de fogo") a enfermeira perguntou se queria puxar a minha filha, ganhei força não sei de onde, e da minha posição de semi-deitada (no início da expulsão a enfermeira disse que me podia pôr na posição que quisesse, mas o cansaço era tanto que fiquei quase deitada), levantei-me como se não estivesse cansada agarrei na minha bebé (que ainda tinha metade do corpo dentro de mim), e puxei para o meu colo.
Outro aparte, não posso . . .  de maneira nenhuma . . .  encontrar palavras para descrever o que senti e o que significou para mim poder fazer isto, e não há nada que tenha feito em toda a minha vida até agora que se iguale (não quer dizer que o parto do meu filho não tenha sido importante, e não influencia de maneira alguma o que sinto por ele), por isso se alguém não entende os motivos que me levam a dizer que foi algo maravilhoso para mim, não lhe vou poder explicar, ou se entende ou não se entende.
Não me recordo se ela chorou logo ou não, sei que estava de olhos abertos e que se mexia, a enfermeira perguntou se podia cortar o cordão, e pedi para aguardar mais uns minutos, pois tinha lido muito sobre os benefícios do corte tardio do cordão. Também não me recordo quantos minutos esperou nem me recordo se a placenta saiu antes ou depois de cortarem o cordão, mas lembro de me ter perguntado se a queria ver, e o que pensei é que é maior do que pensava. No momento de cortar o cordão perguntou ao Pedro se queria cortar e penso (infelizmente a memória falha em momentos de grande intensidade emocional) que ele hesitou mas acabou por aceitar. Desde que a puxei até que a levaram para vestir, esteve no meu colo junto ao meu peito, e quando a levaram o pai foi com ela. Depois de a levarem a enfermeira tratou da minha laceração, pois apesar de eu ter pedido para não fazerem episiotomia, como já tinha sido feito no primeiro parto, a pele rasgou no lugar da cicatriz.
Não foi o parto natural e humanizado que idealizei e não correu tudo como teria gostado, mas em comparação com o primeiro parto foi uma vitória, pois senti que a minha opinião e querer foram tomados em conta, e a abertura de mente da enfermeira não só para aceitar os meus pedidos, como para tornar a experiência o melhor, dentro do possível, foi de extrema importância!
Nasceu um pouco antes das 11h30 da noite, e ao igual que no primeiro parto, mal ela saiu, todas as dores e todo o cansaço desapareceram, e fiquei num tal estado de euforia que todo o mal-estar parece uma memoria longínqua.