sexta-feira, 22 de julho de 2016

Bravida

Já normalmente sou uma pessoa fácil de irritar, e com um mau humor à flor da pele. Mas nesta gravidez tem sido difícil de controlar e até um "estás bem?", ou "está tudo a correr bem?" com o olhar a desviar-se para a minha zona abdominal me da vontade de responder: "não estou doente, porque é que não haveria de estar bem!" ou "queres que te responda só "sim, estou bem" ou preferes a descrição detalhada de todos os males que me afectam".
Tudo me irrita, mas claro que há coisas que o fazem mais que outras, entre elas a clara intenção, em alguns casos a acção mesmo, de algumas pessoas de tocar em mim (e não me refiro ao braço ou ombro, mais comum quando cumprimentamos alguém), como se o meu corpo já não fosse meu!! O facto de ter um ser a crescer dentro de mim, não dá o direito a absolutamente ninguém (tirando o meu filho e o meu marido) de me tocar, pois continuo a ser a mesma pessoa que há uns meses não estava grávida, eu não ando por aí a esfregar a barriga aos outros (a menos que me digam que vai de lá sair um génio), se não é aceitável tocar nos outros só porque nos apetece, muito menos numa grávida, uma que se chateia com muita facilidade! A menos claro que eu diga explicitamente que o podem fazer.


Sigo um blog do qual gosto muito, e como já referi outras vezes não tenho que concordar com tudo o que a pessoa diz para gostar e seguir um blog. É de uma escritora portuguesa que se chama Filipa Fonseca Silva (podem conhecer o blog aqui), que ouvi falar há uns tempos quando lançou o seu mais recente livro: "Coisas que uma Mãe Descobre (e de que ninguém fala)" , o qual causou uma certa polemica, pois muitas defensoras e fundamentalistas da maternidade não acharam suficientemente "maternal", o livro. No meu caso apesar de (novamente) não concordar com tudo, entendi a intenção cómica, e gostei da abordagem menos séria de alguns temas, mas não comprei o livro na altura, apenas comecei a seguir o blog. Mantive a intenção de comprar, e quando descobri esta gravidez decidi fazê-lo, e devo dizer que gostei muito e me ajudou a ver as coisas com mais calma, acho em todo caso que devia ser lido por mais homens.
Num dos capítulos a escritora divide as grávidas por tipos, e apesar de não me incluir num só, penso que estou mais enquadrada no que ela chama de bravidas, isto é, grávidas que andam chateadas com o mundo.


Para as pessoas (amigos ou família) de quem gosto (será que as pessoas de quem gosto, sabem que gosto delas?) e que vejo/falo "on a regular basis", não levem muito a sério alguma resposta torta. Qualquer outra pessoa, talvez seja melhor nem olharem para mim!

terça-feira, 12 de julho de 2016

Peço desculpa!

Este não é um "mommy blog", apesar do meu filho ser uma parte muito importante da minha vida (a mais importante) e de vez em quando os meus post´s estarem relacionados com ele e com as minhas experiencias como mãe.
Mas dada a minha condição actual, é difícil não ter a minha atenção focada nesse aspecto (o ser mãe).
Por isso peço desculpa a quem não gosta de "mommy blogs", mas os próximos post´s vão ser, na sua maioria, relacionados com a gravidez: the good, the bad and the ugly.
Vou tentar não ser muito chata com o assunto, e assim como faço um esforço por não me queixar muito, vou tentar falar sobre outros temas.
Só não esperem "ouvir-me" (ler) a falar de football, porque já não suporto ouvir falar do tema!


Claro que se vier para aqui dizer que acho triste e deprimente, que algo tão insignificante (do meu ponto de vista) como uma taça, que não muda no mais mínimo a minha vida ou a qualidade (ou falta de), mova massas da forma que o faz! Quando há coisas tão mais importantes para fazer, que efectivamente podiam melhorar o nosso país e a qualidade de vida nele!
 E ainda mais num dia em que outros atletas ganharam competições que considero de muito mais valor e mérito pelo esforço que representam, e não falo do esforço físico. Porque não é o mesmo trabalhar para algo e mostrar empenho quando só vivem para isso e recebem mais do que seria necessário, e fazê-lo tendo que pedinchar ou ter eles próprios que financiar, não recebendo (muitas vezes) qualquer ajuda para tal.
Não peço desculpa pela minha opinião.


Como já o disse anteriormente, acho que o mundo em que vivemos anda com as prioridades trocadas.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Acho que rebentei a escala do mau humor!

Bem, por onde hei-de começar . . .
Em Abril descobri algo que apesar de querer muito, foi um choque e com outras questões profissionais à mistura, tenho andado num stress que não é normal e muito menos benéfico.


Para quem segue o blog, sabem que outro filho era algo que queria muito (como disse aqui), mas nem o marido, nem o meu lado racional concordavam, e era algo que não estávamos a planear para já.
Mas a vida é muito boa a trocar-nos as voltas, e a fazer o que quer, apesar dos nossos planos.


Em Abril, com um atraso de dois dias (o que é muito raro em mim) fiz um teste, mas apenas por descargo de consciência, e para minha surpresa, deu positivo!


Duas semanas antes tinha sido informada que o meu contrato iria terminar e iria ter um novo no dia seguinte, mas para todos os efeitos era um despedimento.


E o meu marido numa situação, que não sendo igual, o deixava num impasse profissional (o qual ainda se mantem).


Não foi com certeza a altura ideal, apesar de ser algo há muito idealizado por mim, e uma frase que não me sai da cabeça é: "Be careful what you wish for, cause you just might get it".


A minha primeira gravidez, apesar de um que outro problema, correu bastante bem, no que a enjoos e hormonas se refere, e mesmo sabendo que as gravidezes não são todas iguais, não estava preparada para tudo o que esta me tem trazido de diferente, no que a emoções e enjoos se refere, unido obviamente ao facto de andar muito mais nervosa e stressada do que na primeira, na que tudo me parecia lindo e maravilhoso.


Nestes primeiros 4 meses, os enjoos, o cansaço (talvez por não conseguir descansar tanto como na primeira gravidez), a falta de apetite, a falta de paciência, o chorar por qualquer coisa têm sido uma constante, que se eu não entendo, muito menos quem me rodeia.


Perdi um Kg desde o inicio, e pelo que tenho percebido não é tão raro, mas não me livrou de um raspanete na ultima consulta, unido ao facto do meu desejo para o parto (noutra altura falarei disso) ter sido "pisado e maltratado" como se fosse algo inconcebível e desrespeitoso para com médicos e enfermeiros, fez com que o mau humor que me tem afectado nas ultimas semanas, ficasse fora de controlo, o que eventualmente acaba por levar a pensamentos pessimistas e termina (ou recomeça, como um ciclo vicioso) numa vontade de chorar por tudo o que me tem afectado desde que me lembro de mim, todas as minhas tristezas como um filme em "fast-forward".









segunda-feira, 27 de junho de 2016

Voltando aos gatos!

Depois de algumas semanas de uma certa gestão na logística, para manter os gatos separados, e já a pensar em alternativas e opções para separar os meninos de forma definitiva, tendo obviamente que "prescindir" de um deles.
Graças a uma semana confinada em casa, sem direito a grandes saídas e passeios, lá consegui que estivessem juntos na mesma divisão sem grandes altercados, deixando-os sempre separados durante a noite.
Posso dizer neste momento, já a vários dias da primeira reaproximação, que a crise está (quase) completamente ultrapassada, apenas havendo ainda uma ligeira desconfiança de parte do Taz.
O que levou o Boris, sendo ainda um "miúdo", a procurar um substituto. Então, onde quer que eu vá ou esteja, lá está ele. Se me sento no sofá, aparece em menos de 5 segundos em cima de mim ou encostado, na cozinha: deitado ou sentado a poucos centímetros, na casa de banho a roçar as minhas pernas à voltas da sanita (tenho tido que fechar a porta, coisa que não é meu costume), se vou para o quarto e fecho a porta fica ali a miar, ou vem a correr quando saiu. Sinto que ganhei um filho novo no espaço de uma semana.
Mas estou muito contente por termos ultrapassado a crise, e muito orgulhosa de nós, mesmo na nossa casa pequena e quase sem portas, não termos posto logo um gato fora de casa ao primeiro problemita, sinto que tanto da nossa parte como da parte deles há uma maior confiança e carinho mútuo.
Somos uma família: 3 humanos e 2 felinos.
Até aparecemos todos juntos no IRS.


 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Tenho um gato barricado na casa de banho . . .

. . . mais precisamente detrás da sanita.


Passo a explicar:
Tenho dois gatos de que gosto muito, têm personalidades diferentes, mas sempre (desde Outubro 2015) se deram bem.
O mais velho (Taz) tem 3 anos, e até Maio do ano passado era parecido a um demónio da Tasmânia (o desenho animado), unido ao facto de ter sido castrado em Janeiro do ano passado em Maio foi diagnosticado com asma felina e a sua maneira de ser mudou muito, não só acalmou senão que ficou muito mais doce.
O mais novo (Boris) tem 10 meses, e apesar de que ambos têm muito medo de pessoas (características comum aos gatos que vieram da rua), este tem mais, por isso se apegou muito ao mais velho e anda sempre atrás dele. Devia ter sido castrado aos 6 meses, mas por diversos motivos fomos deixando andar com a desculpa de "o mês que vem tratamos disso".


Sem qualquer pré-aviso, na passada terça-feira quando o meu marido acordou (já depois de eu ter saído e estando tudo bem) encontrou a casa que nem campo de batalha, almofadas pelo chão, caixote do lixo virado, detergentes e molas (que estavam em cima da máquina de lavar) tudo espalhado, xixi e cocó (de gato) pelo chão, e o Taz completamente aterrorizado escondido entre a parede e a maquina de lavar, que mal viu o meu marido correu a refugiar-se no nosso quarto onde ficou até irmos dormir, passou a noite no mesmo estado de terror, rosnando por qualquer pequena alteração (noite complicada para mim, devo dizer).
Na quarta-feira de manhã, depois de falar com varias pessoas, obtive a mesma resposta, o problema é o Boris não estar castrado e ser altura do cio. Procurei um veterinário disposto a castrar o (pobre) gato no mesmo dia, e estando o meu marido de folga, lá levou o gato, sendo que aproveitámos para levar também o Taz, e tratámos da vacinação de ambos.
Chegados a casa, deixamos sair primeiro o Taz, enquanto tratávamos do jantar, quando quisemos deixar o Boris sair da transportadora procurámos o outro para estar prevenidos, mas sem o encontrar, devemos ter dado 3 voltas a toda a casa, até que o meu marido foi dar com ele na casa de banho atrás da sanita.


Desde quarta-feira que as hostilidades se mantêm, o Taz rosna sempre que vê o Boris, e se tem oportunidade o Boris ataca o Taz (ainda não percebi bem porquê) das (poucas) vezes que se têm encontrado envolvem-se numa luta greco-romana de gatos, com "gritos", bufadelas e rosnadelas com um a tentar fugir e o outro a perseguir, e de cada vez que isto acontece o Taz faz xixi, imagino que do susto (nunca o nosso chão esteve tão limpo e a casa com vários ambientadores para enganar o cheiro a xixi de gato). Foi-me dito que as hormonas do cio se iram manter no Boris por vários dias ainda.
Quando não estamos em casa, ou durante a noite a porta da casa de banho fica fechada e o Taz fica lá dentro, já vai trocando o cantinho atrás da sanita pelo lavatório, e tem tudo o que precisa lá dentro, o Boris fica cá fora entre a sala, cozinha e marquise (não há portas que se possam fechar). Quando estamos em casa, e por períodos de uma a duas horas o Boris fica dentro da transportadora (os quartos estão fora de questão) e o Taz vem espairecer, nunca se aproximando do Boris.


Mas o que me faz mais confusão, é que apesar de (aparentemente, pois é sempre tudo muito rápido) ser sempre o Boris a atacar o Taz, nos períodos em que o Taz está na casa de banho fechado, o Boris fica à porta a miar, ou mesmo dentro da transportadora quando vê o Taz, mia de tal forma, como de dor, por não poder estar perto do Taz de quem se nota que sente saudades.


Tem sido complicada a logística desta separação, numa casa pequena e com poucas portas, mas o que mais me custa é ver um completamente aterrorizado e o outro triste porque (pelo que consigo perceber) não entende o porquê de estarem separados.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Lidar com o "normal"!

O post de hoje, é com o intuito de partilhar uma experiencia de mãe e apesar de que não é muito comum, acontece. No meu caso já tinha ouvido falar, mas nunca tinha presenciado (antes de ser mãe).

O meu anjinho (que o continuará a ser enquanto eu assim o quiser chamar), tem tendência para fazer algo chamado apneia do choro, e é das coisas mais assustadores que um(a) pai/mãe pode assistir num filho.

Ocorrem em cerca de 4% das crianças com idade compreendida entre os 6 meses e os 4 anos, afetando meninos e meninas de igual forma. A frequência dos episódios é variável - desde crises ocasionais a vários episódios diários. Em 23% dos casos encontrou-se uma incidência familiar. (Guess who?)

Consistem numa sequência típica de eventos que se inicia de forma reflexa em resposta a um fator desencadeante, como medo, susto, frustração ou dor súbita, podendo levar à apneia (a criança deixa de respirar) e até mesmo perda de consciência. São involuntários, auto-limitados e habitualmente não provocam complicações graves.

Aparecem na internet bastantes informações, mas ler que algo é normal e não trás qualquer problema de saúde, não o faz mais fácil, penso que a partilha de experiencias e saber que há outros pais e crianças que também passam (passaram) pelo mesmo acaba por ser melhor.

Quando o meu filho tinha alguns meses de vida (não me recordo exactamente quanto, mas mais de 8 e menos de 12), fez pela primeira vez. Começou a chorar, muito provavelmente por ser contrariado em qualquer coisa, e em determinada altura parou de respirar, isto é, manteve o choro em "mute" mas sem entrada ou saída de ar, durante alguns segundos (que parecem intermináveis), começou a ficar roxo (por mais que tentássemos que voltasse a respirar) e acabou por desmaiar, momento no qual voltou a respirar normalmente e "acordou" logo a seguir, sem chorar, olhando para nós como se nada se tivesse passado. Toda a situação não deve ter durado mais que uns poucos minutos, bastante assustadores, devo dizer.

Por algum motivo que não sei explicar mantive a calma, no entanto não posso dizer o mesmo do pai do meu filho. Falámos com a médica que o segue no Centro de Saúde e também investiguei na internet, obtendo sempre a mesma resposta, de que não é perigoso para a saúde dele (apenas a saúde emocional dos pais). Até aos seus 2 anos aproximadamente voltou a fazer algumas vezes, sendo que apenas o fazia comigo ou com o pai, e consegui sempre manter a calma, algumas vezes conseguindo que recuperasse o fôlego, outras não.

Já não acontecia há quase dois anos. Há 2 noites, algum tempo depois de adormecer, começou a choramingar, fui ver e apesar de estar meio a dormir, percebi que estava aflito para fazer xixi (apesar de ter feito antes de se deitar), peguei nele ao colo, e levei-o à sanita (já tinha acontecido outras vezes, e ele não chega a acordar totalmente, parando de choramingar quando faz o xixi), mas em vez de acontecer como normalmente, começou a chorar mais, peguei nele novamente para perceber se havia algum problema e para acalmá-lo, e foi quando parou de respirar, e eu entrei num pânico estúpido que nunca me tinha acontecido, não me lembrei de lhe soprar na cara nem me lembrei que já não era a primeira vez e que não lhe acontece nada de mal. Só consegui ver a sua carinha cada vez mais roxa e parecia aflito por respirar. Até que tossiu duas vezes e recuperou o fôlego, olhou para mim de olhos muito abertos e fechou como se não tivesse acordado e adormeceu (ou continuou a dormir).
E eu fui devagarinho para a cama dele, sentei-me e fiquei a embala-lo (a ele e a mim) por uns bons 10 minutos sem o conseguir largar. Sabendo que estava tudo bem, mas a tremer e com um nó na garganta.
Nem sempre o saber que é "normal" nos permite lidar com as coisas, especialmente se dos nossos filhos se trata.



quarta-feira, 25 de maio de 2016

And the "Miss congeniality" award goes to . . . . . . not me!

Não sou a pessoa mais simpática do mundo, e só não sabe quem não me conhece.
Mas há dias em que o mau-humor anda à flor da pele, e tenho verdadeiramente que fazer um esforço para não dar respostas tortas (nem sempre sou bem sucedida).
No meu trabalho recebo vários estafetas por dia de várias empresas de entrega de correio. Já os conheço a todos, e apesar que não sou a "miss  congeniality" em pessoa, tenho sempre o cuidado de sorrir e cumprimentar e despedir-me; mas obviamente do outro lado também nem sempre são do mais simpáticos que existe, não é que me queixe, mas há dias em que ser amável e sorrir ainda se faz mais difícil.
Hoje de manhã:
Mal abro a porta para o estafeta entrar, depois de um bom dia apressado diz:
- Preciso de uma assinatura e carimbo antes do meio dia!! (em tom autoritário, sendo que nunca demonstrou qualquer simpatia)
Olho para as horas e vejo: 11h56
E diz o estafeta novamente:
- É que temos um horário de entrega e tenho que enviar a confirmação para a central antes do meio dia!
Nem respondi, mantive o meu sorriso cada vez mais amarelo e fiz o que me pediu.
Depois de tudo entregue despediu-se, respondi e foi embora.
Mas durante todo o tempo em que fiz o que me pediu fiquei com a resposta que lhe queria dar entalada.
- Tivesse chegado mais cedo!!
Não a disse por uma única razão, não quis criar mau ambiente com alguém que tenho que ver quase diariamente, mas vontade podem ter a certeza que não me faltou.