Sou aquele tipo de pessoa que tem terror a envelhecer. Não falo da velhice estetica, ou seja: cabelos brancos (que já tenho), rugas e peles descaidas, não é o que me assusta (claro que também não me emociona).
A velhice à que me refiro é aquela que nos faz perder as nossas capacidades fisicas (não ter força nem para ir à casa de banho sozinha) e as mentais!
Penso que não serei a única, mas o meu medo da velhice chega a superar o medo de morrer antes que chegue esse momento.
Há uns dias no metro presenciei uma "cena" que apesar de cómica me fez lembrar este meu medo.
Na estação do metro de Oriente entraram duas idosas, daquelas com aspecto de avózinhas, e sentaram-se à minha frente. Vou chamar senhora A e senhora B.
- Senhora A: Vamos sair na Alameda que é já a seguir!
(Devo dizer, para quem não conhece, que de Oriente à Alameda são 6 estações ).
Na estação seguinte.
- Senhora B: É aqui?
- Senhora A: Não, deve ser a proxima.
Mais uma estação, a mesma conversa.
A senhora B, um tanto nervosa diz que não consegue ouvir o que diz a gravação que informa a paragem seguinte porque o metro faz muito barulho, e pergunta a uma rapariga sentada ao meu lado se falta muito, a qual responde que ainda faltam algumas.
Sem perceber, a senhora A diz:
- Será que nos enganámos e era para o outro lado!
- Senhora B: Esta menina acaba de dizer que ainda faltam algumas!
- Senhora A: Mas só tinhamos que passar a estação do Areeiro e a Alameda é logo a seguir!
(o Areeiro fica em outra linha do metro)
Entretanto lá ficam à espera, e no transcurso entre a estação anterior e a Alameda, a rapariga sentada ao meu lado diz à senhora B que a Alameda vem a seguir, e esta diz à senhora A, a qual responde:
- Mas é na Alameda que vamos sair? (em tom preocupado)
E pergunta a senhora B à rapariga:
- É na Alameda que tenho que sair?
A rapariga abre os olhos, olha para mim e encolhe os ombros.
Quando as portas estão a abrir levantam-se as duas muito apressadas e, perguntam-me, pois eu também estava a sair:
- É por aqui que se vai para o Chile? (Praça do Chile fica à saída da estação do metro de Arroios)
E respondi que sim.
Mas dada a conversa anterior, ainda pensei em perguntar se era para a Praça do Chile ou o país Chile que queriam ir, pois o Aeroporto fica para o outro lado da linha onde estavamos.
Não sabia se havia de rir ou de preocupar-me, por elas e por mim, pois chegará a minha altura, e tenho terror a que me aconteçam situações destas, de não ter a certeza para onde vou ou onde estou!
Um cantinho, escondido mas à vista de todos, para ser eu: mulher, mãe, filha, amiga. Um cantinho de opiniões, historias, crónicas, pensamentos.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Otites
Não acredito na chamada medicina occidental.
Já sei que não é uma religião para se acreditar ou não, e que têm feito muitos avanços e descobertas. Mas mesmo assim, penso que há muitas coisas que não sabem (ou que sabem) e não admitem, têm metodos excessivamente invasivos, medicamentos com excesso de quimicos que "curam" uma coisa e "estragam" 3, não aceitam outras medicinas e "pare usted de contar"!
Ou seja, têm os seus prós, mas com certeza também têm os seus contras, e penso que estou no meu direito de não acreditar nela.
Além de todos estes motivos ainda tenho um mais pessoal!
O meu anjinho teve uma altura muito fragil, que pode ter sido causada por muitas alterações na sua rotina. No decorrer de dois meses, comecei a trabalhar e ele teve que ir para a creche (com 10 meses), mudámos de casa e deixou de mamar.
Apenas uma semana depois de ter entrado na creche (antes das outras alterações) fez uma otite. Foi a primeira vez que adoeceu no seu curto espaço de vida, e lá lhe tivemos que dar antibiotico, muito contra minha vontade. Duas semanas depois, lá voltávamos ao hospital (já depois das outras alterações), mais uma otite em ambos ouvidos, mais um antibiotico para a lista (que apenas estava a começar).
Umas 3 semanas após a segunda otite, mais uma ida ao hospital, no dia do seu primeiro aniversário, com diagnóstico de outra otite, mas como era fim-de-semana, para lá voltar na Segunda-feira e ser visto por um especialista (otorrino). Na Segunda foi apenas com o pai, o diagnóstico: a otite tinha evoluido para uma otomastoidite, tinha que ficar internado! Com sugerência da Médica de que se as otites continuassem devería ser operado para colocar uns tubinhos para drenar o "liquido" (ranho) dos ouvidos e possivelmente retirar os adenoídes (todas as otites que fez foram otites serosas, apesar de nunca lhe ter saído liquido pelos ouvidos).
Mal soube disto, disse logo: Opero-lo, "over my dead body"! Antes tento todas as opções havidas e por haver!
Mas mesmo assim, uma semana internado a levar antibiotico injectavel, com a mãe a trabalhar durante o dia (não podia pedir baixa por estar a trabalhar à menos de 3 meses) e a passar as noites no cadeirão do hospital com o anjinho.
Isto em Julho, até Janeiro do ano seguinte continuou a fazer otites quase todos os meses, e claro, cada otite, um antibiotico.
Em Janeiro após ida ao Hospital, diagnóstico de otite, toda a noite no hospital a fazer aerosois, vamos para casa com antibiótico (claro!) e mais um carregamento de medicamentos.
O sentimento de culpa, já não me deixava continuar a dar lhe antibióticos, por isso no dia seguinte, com febre, tosse e sem tomar qualquer medicamento, levei-o a uma homeopata (recomendada por uma amiga), a apostar tudo o que tinha que esta seria a solução, e com muito pouco apoio de parte do pai.
(to be continued)
Já sei que não é uma religião para se acreditar ou não, e que têm feito muitos avanços e descobertas. Mas mesmo assim, penso que há muitas coisas que não sabem (ou que sabem) e não admitem, têm metodos excessivamente invasivos, medicamentos com excesso de quimicos que "curam" uma coisa e "estragam" 3, não aceitam outras medicinas e "pare usted de contar"!
Ou seja, têm os seus prós, mas com certeza também têm os seus contras, e penso que estou no meu direito de não acreditar nela.
Além de todos estes motivos ainda tenho um mais pessoal!
O meu anjinho teve uma altura muito fragil, que pode ter sido causada por muitas alterações na sua rotina. No decorrer de dois meses, comecei a trabalhar e ele teve que ir para a creche (com 10 meses), mudámos de casa e deixou de mamar.
Apenas uma semana depois de ter entrado na creche (antes das outras alterações) fez uma otite. Foi a primeira vez que adoeceu no seu curto espaço de vida, e lá lhe tivemos que dar antibiotico, muito contra minha vontade. Duas semanas depois, lá voltávamos ao hospital (já depois das outras alterações), mais uma otite em ambos ouvidos, mais um antibiotico para a lista (que apenas estava a começar).
Umas 3 semanas após a segunda otite, mais uma ida ao hospital, no dia do seu primeiro aniversário, com diagnóstico de outra otite, mas como era fim-de-semana, para lá voltar na Segunda-feira e ser visto por um especialista (otorrino). Na Segunda foi apenas com o pai, o diagnóstico: a otite tinha evoluido para uma otomastoidite, tinha que ficar internado! Com sugerência da Médica de que se as otites continuassem devería ser operado para colocar uns tubinhos para drenar o "liquido" (ranho) dos ouvidos e possivelmente retirar os adenoídes (todas as otites que fez foram otites serosas, apesar de nunca lhe ter saído liquido pelos ouvidos).
Mal soube disto, disse logo: Opero-lo, "over my dead body"! Antes tento todas as opções havidas e por haver!
Mas mesmo assim, uma semana internado a levar antibiotico injectavel, com a mãe a trabalhar durante o dia (não podia pedir baixa por estar a trabalhar à menos de 3 meses) e a passar as noites no cadeirão do hospital com o anjinho.
Isto em Julho, até Janeiro do ano seguinte continuou a fazer otites quase todos os meses, e claro, cada otite, um antibiotico.
Em Janeiro após ida ao Hospital, diagnóstico de otite, toda a noite no hospital a fazer aerosois, vamos para casa com antibiótico (claro!) e mais um carregamento de medicamentos.
O sentimento de culpa, já não me deixava continuar a dar lhe antibióticos, por isso no dia seguinte, com febre, tosse e sem tomar qualquer medicamento, levei-o a uma homeopata (recomendada por uma amiga), a apostar tudo o que tinha que esta seria a solução, e com muito pouco apoio de parte do pai.
(to be continued)
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Tabus da maternidade
Não vou falar de todos, porque não os sei, não tenho tempo nem vocês paciência.
Vou falar de dois que fazem parte da minha experiência.
O primeiro está relacionado com um post anterior (aqui), e que se refere à incontinência urinária e/ou fecal, e na sua variante mais avançada o prolapso uro-genital.
Honestamente não sei muito do assunto, o que sei é que tenho terror que me aconteça e já ouvi umas histórias, mas tudo às escondidas, como se fosse um crime.
Actualmente já existem muitas maternidades que falam disto nas aulas de preparação para o parto, e que instam à realização dos exercícios de Kegel (muito recomendado mesmo para quem ainda não passou por um parto), mas o facto é que continua a ser um tabu: "ninguém fala disso, ninguém tem". O que leva, obviamente, a que muitas mulheres menosprezem os exercícios e as recomendações.
No entanto não vejo que o problema esteja nos profissionais da saúde, que mais bem falam e explicam e instam a que se peça ajuda. O problema está nas mulheres, (e também nos homens que gozam e não dão o apoio necessário) que não falam, não pedem ajuda, não trocam impressões. Infelizmente, vivemos numa altura em que todos somos perfeitos e felizes (aparentemente), para mostrar aos outros, ninguém tem problemas.
O outro tabu, é relativamente aos sentimentos da mãe para o filho durante a gravidez e logo após o parto.
O meu anjinho foi planeado e muito desejado, mas quando tive o positivo, após a alegria inicial, os primeiros sentimentos foram de medo e ansiedade de, se calhar, não estar preparada. Durante a gravidez tomei todos os cuidados, e o medo de fazer alguma coisa de errado, ou não saber receber aquele bebe como é devido, era constante. Quando nasceu, o primeiro que senti foi um enorme alivio por o parto ter acabado, e quando o vi, só queria saber se trazia todas as "peças" e vinha sem "defeitos de fabrica" (principalmente daqueles que são causados por culpa minha). E o não ter sentido um amor avassalador desde o primeiro instante deixava-me envergonhada.
Nas primeiras semanas aprendi a amar, a cuidar e proteger, e fiquei de tal modo possessiva que não suportava que certas pessoas lhe pegassem ou tocassem durante vários meses!
Tudo isto são coisas que ninguém fala, todas as mães que planearam ter filhos sentiram desde o primeiro momento um amor sem fim e sem comparação por aquele ser, e qualquer coisa que não seja isso, não é natural, e é mal visto. As poucas que admitimos que não foi bem assim, aos olhos dos outros, não devemos ser normais. O estereótipo da mãe perfeita, que ama, sem ser possessiva, que sabe tudo o que tem que fazer desde o primeiro segundo, que tem certezas absolutas, que dá liberdade sem medos, que sempre tem a resposta certa; esse estereótipo é o que faz que as mães tenham receio de admitir que não sabem, ou que até sabem, mas que é diferente ao que as outras sabem, que não tenham confiança nelas próprias, porque não são iguais, que tenham mais medos dos que deviam, e inevitavelmente leva a muitas depressões pós-parto!
Que mania de querer mostrar perfeição, quando todos sabemos que isso não é real!
Deixem os outros ser imperfeitos, mostrem as vossas imperfeições.
Peçam ajuda quando precisem mas confiem em vocês mesmas.
Acho que seriamos bem mais felizes.
E parem de julgar os outros porque não são perfeitos ou não são iguais a vocês!
Let them be!
Let me be . . .
segunda-feira, 27 de julho de 2015
O Einstein tinha razão!
Ele disse: "Apenas duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana, e nem tenho a certeza sobre o Universo!"
E devo dizer que estou completamente de acordo!
Especialmente quando ouço noticias destas:
Cecil, o leão que posava para as fotos, acabou decapitado e feito troféu
É realmente muito triste, não só pelo sucedido e pela morte de um ser que merecia todo o respeito, mas por perceber que o animal menos humano que existe é o chamado animal "racional"!
E que não só é quem faz, mas especialmente quem aplaude ou acha piada. Porque sem público (comprador) não há "artista"!
Uma vénia de respeito ao Rei que morreu!
Que pode ser o rei da selva, mas nós é que somos os selvagens.
E devo dizer que estou completamente de acordo!
Especialmente quando ouço noticias destas:
Cecil, o leão que posava para as fotos, acabou decapitado e feito troféu
É realmente muito triste, não só pelo sucedido e pela morte de um ser que merecia todo o respeito, mas por perceber que o animal menos humano que existe é o chamado animal "racional"!
E que não só é quem faz, mas especialmente quem aplaude ou acha piada. Porque sem público (comprador) não há "artista"!
Uma vénia de respeito ao Rei que morreu!
Que pode ser o rei da selva, mas nós é que somos os selvagens.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
Relação de Évora proíbe pais de publicarem fotos da filha no Facebook
Apenas quero dizer que concordo plenamente com o decidido pelo Tribunal.
Porque, como já disse antes, lutar contra as redes sociais (sem ajudas do Tribunal) actualmente é muito difícil, fotos toda a gente tira com grande facilidade e aparecem nas redes sociais em menos de um piscar de olhos. Nem vou falar na parte dos perigos, pois isso já tem sido extensamente discutido, e não leva a nada. Cada um com a sua opinião.
Por isso, na minha opinião, concordo!
Noticia:
http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/relacao-de-evora-proibe-pais-de-publicarem-fotos-da-filha-no-facebook-1702716
Porque, como já disse antes, lutar contra as redes sociais (sem ajudas do Tribunal) actualmente é muito difícil, fotos toda a gente tira com grande facilidade e aparecem nas redes sociais em menos de um piscar de olhos. Nem vou falar na parte dos perigos, pois isso já tem sido extensamente discutido, e não leva a nada. Cada um com a sua opinião.
Por isso, na minha opinião, concordo!
Noticia:
http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/relacao-de-evora-proibe-pais-de-publicarem-fotos-da-filha-no-facebook-1702716
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Se não podes vencê-los, junta-te a eles!
Ou "Choose your battles" também se aplica.
Na sociedade actual, lutar contra as redes sociais, não é nada fácil!
A verdade é que em certas coisas temos que saber dar o braço a torcer, e aceitar que são mais fortes que nós, mas isto não significa deixar que nos vençam.
Dar o braço a torcer não significa desistir no que acreditamos, significa que somos forte o suficientes para aceitar algo mantendo a nossa posição.
Com tudo isto quero apenas dizer que são todos bem vindos a gostar da página do blog no FB.
Não será nada muito activo, será apenas uma forma de poder chegar a mais leitores, e notificar os ja existentes (leitores) dos post´s!
Em todo caso, obrigada por estarem aí!
Na sociedade actual, lutar contra as redes sociais, não é nada fácil!
A verdade é que em certas coisas temos que saber dar o braço a torcer, e aceitar que são mais fortes que nós, mas isto não significa deixar que nos vençam.
Dar o braço a torcer não significa desistir no que acreditamos, significa que somos forte o suficientes para aceitar algo mantendo a nossa posição.
Com tudo isto quero apenas dizer que são todos bem vindos a gostar da página do blog no FB.
Não será nada muito activo, será apenas uma forma de poder chegar a mais leitores, e notificar os ja existentes (leitores) dos post´s!
Em todo caso, obrigada por estarem aí!
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Quando a vida se divide no antes e o depois!
À 3 anos nasceu um anjinho lindo e uma mãe inexperiente.
Os dois crescem e evoluem um bocadinho cada dia, o anjinho continua lindo e a mãe inexperiente. Porque cada etapa é nova e quando a mãe pensa que já tem mais experiência, as coisas mudam.
Mas o primeiro passo para melhorar, é aceitar que não somos perfeitas e ir aprendendo com o dia a dia, aceitar que não somos todos iguais e cada um cresce a seu tempo.
Para cada mãe que tem um anjinho em casa, o seu é "O" anjinho e para não fugir à regra, apesar de coisas mais desenvolvidas e outras menos, ambos - mãe e anjinho - estamos no bom caminho.
Ninguém disse que seria fácil, e há dias que as dificuldades são mais, mas apesar do tipo de pessoa que sou (nos tempos de namoro o meu marido chamava-me rabugenta e não era o único), poucas são as vezes que me queixo de ser mãe.
Se gosto de ser mãe, gosto e muito!
Se tenho jeito, . . . realmente acho que não é o meu forte . . . e a paciência tem sido das coisas que mais tenho praticado!
Como já disse antes, sou e sempre fui muito independente, para ter alguém a depender de mim, e por vezes esqueço-me que tenho que "reduzir a marcha" e andar à velocidade dele.
Mas, - e penso que é o mais importante - tenho eu aprendido mais com ele, do que ele comigo.
Há quem diga que a maternidade me "amoleceu", e já não sou quem era, e é verdade.
Tive que aprender, porque a criança aprende mais do exemplo do que do dizer (isto é, aprendemos todos mais com a pratica que com a teoria).
Não lhe posso ensinar a ser paciente se eu não o sou, ou tolerante ou amável.
Assim, com o anjinho nasceu uma mãe. É verdade que muitas coisas são instintivas, e sobre essas coisas nunca tive duvidas, mas muitas outras não o são, e uma coisa tenho a certeza, por mais educação que tenhamos que dar, ser mãe não é sinónimo de dureza, por isso continuou a ser inexperiente e aí está a minha luta, ser a mãe que educa, e a que mima e ama acima de tudo, e saber distinguir o "Não posso ceder" do "Uma vez não são vezes".
Por isso e tudo o que significa ser mãe, tive que mudar, reeducar-me, aceitar que muito do que pensava saber não é bem como pensava e principalmente estar disposta a aprender de quem supostamente vem aprender comigo!
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