terça-feira, 30 de julho de 2019

Novo vocabulário

Estão a decorrer as férias da escola (a minha altura favorita do ano quando era miúda), e como mãe de uma criança que frequenta o primeiro ciclo numa escola pública, tenho que arranjar alternativas de onde deixar o meu filho, sendo que infelizmente nem eu nem o pai do meu filho temos direito às mesmas férias que têm as crianças.
Durante as primeiras 3 semanas deste mês, esteve numa espécie de campo de férias, em que há desde crianças de 6 anos, até adolescentes de 16/17 anos, o que inevitavelmente levou a que lhe fosse apresentado um novo vocabulário, não muito extenso, mas com imensas possibilidades de utilização, o que leva a que sejam ditas muitas vezes.
Que inclui:
- "Mano"
- "Tipo"
- "Ia man"

Obviamente estou delirante (not!).

A melhor parte é que a irmã de 2 anos e meio, que está em plena fase de aquisição de novas palavras e construção de frases com as novas palavras que vai ouvindo, nem sempre aplica as novas palavras que ouve no contexto certo, ou se calhar aplica.
O que leva ao seguinte cenário:

A Oriana levanta-se do chão onde estava a brincar, e começa a andar rápido para a casa de banho (tirou a fralda recentemente), e diz como se fosse o mais normal do mundo:
- "Ia man" tenho cocó!!

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Natural não significa fácil!

Voltando ao tema amamentação . . .
Estou em vários grupos de mães no FB, no entanto a minha máxima é apenas me manter em grupos que sigam as mesmas visões que eu do que penso ser correcto na maternidade. Não pretendo dizer que eu é que estou certa e os outros errados, mas não me agrada estar em grupos ou fazer conversa (entenda-se discutir) com pessoas com as quais não partilho a opinião. E apesar de que considero as redes sociais um vício, no nosso país em que já não temos aquela "aldeia" para ajudar a criar os filhos, acaba por ser uma forma de partilhar experiências com quem está a passar pelo mesmo que nós.
Infelizmente, o tema amamentação, é sempre motivo de discórdia, especialmente porque somos todos muito pouco empáticos uns com os outros (ou devo dizer: umas com as outras).
Uma das maiores "queixas" em relação à amamentação que mais se "ouve" nestes grupos é o facto da amamentação (e a maternidade em geral) ser muito romantizada (é tudo lindo, e maravilhoso, e cor de rosa, só que não!). E é verdade, quase todas as mulheres antes de serem mães, desconhecem as dificuldades em amamentar, porque efectivamente não se fala nelas.
Apesar da amamentação ser o melhor alimento que se pode dar a um bebé, e isso é indiscutível, mesmo que haja muita gente muito mal (in)formada por aí que diz o contrário, o certo é que não é fácil. Na verdade a amamentação, regra geral, é algo bastante difícil, para o qual é preciso muita força de vontade, paciência, e resistência. Este deve ser dos principais motivos que levam a que muitas mulheres deixem de amamentar logo nos primeiros dias/semanas, pois não estavam preparadas para algumas das dificuldades, e claro a quantidade extraordinária de mitos que rodeia a amamentação.
Mas que tão difícil pode ser pôr a mama na boca do bebe!?
Então:
- Os bebes nem sempre sabem mamar, e ao fazê-lo incorrectamente, magoam, fazem fissuras que doem e sangram.
- As mães não sabem ensinar o bebe a mamar correctamente, nem se apercebem que há um problema e ficam frustradas.
- O bebe que não mama correctamente não só magoa, como não se alimenta bem, e não consegue retirar o leite de que precisa para crescer.
- Como o bebé não dá vazão ao leite que o corpo da mãe produz, este acumula-se no peito, produzindo mais dor, e até pode levar a infecções.
- O ductos entopem, mesmo quando o bebé mama bem, e é preciso saber como desentupir.
- Mamar exige esforço de parte do bebe, mais do que muitos supõem, e cansam-se e adormecem.

Iniciar a amamentação pensando que é um processo simples e fácil, e "chocar" com a realidade, muitas vezes pensando que somos seres raros, é meio caminho andado para o fracasso da amamentação.
Não digo que estar informada vá fazer o caminho mais fácil, mas saber que fazemos parte da regra e não da excepção, ajuda a termos mais paciência e resistência para ultrapassar estas "pedras" no caminho.
Uma mulher informada que sabe que o inicio é difícil, mas que amamentar não é suposto doer, e se dói vai procurar ajuda, não é o mesmo que uma mulher que se depara com as mesmas dificuldades, mas pensa que enquanto a amamentação durar vai sofrer horrores, obviamente que vai desistir e ainda vai pensar que é um fracasso porque não consegue amamentar.
A informação é um bem precioso, mas como toda pedra preciosa, esta informação é preciso saber onde procurar, porque infelizmente não é dada a todas as grávidas como devia.


sábado, 20 de abril de 2019

O melhor elogio!

Depois de ter tido dois filhos (falo como se fosse um batalhão), considero me satisfeita com o meu corpo e aspecto no geral, apesar de ter ganho uma barriga, que não é flácida como o chamado "pneu", é mais bem inchada como uma barriga de gravidez de 3/4 meses.
Como sou magra, quando uso uma roupa mais justa, notasse bastante (especialmente depois de uma boa refeição), e já perdi a conta da quantidade de vezes que me perguntaram se estou grávida! Não adoro que me façam esta pergunta, obviamente, mas já não me chateia como antes.
Hoje foi uma dessas vezes, que me perguntaram, mas foi alguém de quem gosto muito, e que apesar das poucas vezes que nos vemos, sinto uma familiaridade e confiança que me permitiu brincar com a situação. Em modo de desculpa, esta pessoa respondeu: "Vejo te tão contente!" e percebi que é a segunda vez, nos últimos tempos,  que alguém comenta o mesmo. E no mesmo instante, respondi: "Pois estou!"
Fiquei ainda mais contente, e percebi que o melhor elogio que posso receber é este, a parte física não é nem de perto tão importante, como o transparecer algo tão bonito como a felicidade.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Recomendações oficiais

Há já algumas semanas que me tem custado muito escrever, não tenho um motivo, pois mantenho as minhas opiniões, o tempo é escasso mas existe, e o gosto por escrever mantém-se. Não quero abandonar o blogue pois, mesmo com poucos leitores, é um escape para mim.
Por isso vou concentrar os próximos post's num tema que me apaixona e a conselho de uma amiga, partilhar o pouco que sei com quem possa saber ainda menos: a amamentação.

Começarei com algo muito básico, as recomendações oficiais. As recomendações a nível internacional e nacional de parte da OMS (Organização Mundial de Saúde), a DGS (Direção Geral de Saúde) e a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), para a amamentação.
Então, o que é recomendado para todos os bebés em todos os países do mundo (e não só os do terceiro mundo) é que os bebes sejam amamentados (ou alimentados a leite adaptado) em exclusivo até aos 6 meses. Sem nenhum outro alimento, nem sequer água (para os que são amamentados em exclusivo), o leite materno cobre todas as necessidades alimentares e de hidratação, mesmo com temperaturas elevadas. Durante estes primeiros 6 meses não deve ser dado absolutamente mais nada (a não ser que seja necessário algum tipo de medicamento), claro que há sempre excepções, mas do que ouço, acaba por ser a regra dar outros alimentos (ou líquidos) antes dos 6 meses e não a excepção.
Depois dos 6 meses, deve ser introduzida a alimentação complementar, o mais saudável possível, "apresentando" os alimentos cozidos ou crus, sem sal nem açúcar, em papa ou puré ou no método BLW (baby led weaning), sem pressões nem obrigações, deixando o bebe experimentar e comer o que quer e a quantidade que quer, pois como o nome "complementar" diz, é um complemento ao leite materno, que até ao ano deve-se manter como a fonte principal de alimentação do bebe.
Continuando com as recomendações oficiais, a amamentação deve manter-se até aos dois anos no mínimo, e depois até mãe e filho/a quererem, levando, dentro do possível, a um desmame natural. Que pode dar-se entre os 4 e os 7 anos, mantendo sempre benefícios nutricionais assim como de proteção.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Trabalhar

Dizem que fazer o que gostamos, profissionalmente, é não ter que trabalhar mais na vida, como se a palavra "trabalhar" estivesse ligada á insatisfação laboral.
No entanto, e porque vivemos em sociedade, o "fazer" não é o único que influi na nossa satisfação, o ambiente que nos rodeia também tem (in)felizmente muita influencia.
Pois eu posso adorar o que faço, mas se não gosto com quem "trabalho" (salvo seja) não vou ser feliz. E não me venham dizer que posso ser trabalhador(a) independente, e trabalhar no que gosto, só eu. Aparentemente, neste país, trabalhador independente significa "milionário", pois as exigências são muitas e os direitos nenhuns, como se todas as mulheres trabalhadoras independentes ganhassem "rios de dinheiro" e se pudessem dar ao luxo de não trabalhar durante os 4 ou 5 meses que têm direito as trabalhadoras dependentes. Ou os homens trabalhadores independentes não adoecessem.
É muito triste que no nosso país (e falo de Portugal porque não conheço a realidade de outros países) a população em geral seja tão mesquinha, tão egoísta.
Como querem ou têm o descaro de exigir governantes justos, transparentes e honestos, se na maioria das vezes em empresas (ou departamentos) de 10 pessoas, mais de metade são desleais, falsos e maus colegas.

Nunca tive o sonho de ser "isto ou aquilo" (profissionalmente), e sempre que pensava em estudar qualquer coisa era com o intuito de ter um modo de ganhar dinheiro para viver, com algo o menos complicado possível, o único que sempre quis ser foi mãe, não sabendo eu que era dos "trabalhos" mais difíceis e exigentes que existe.

Neste momento trabalho por dois motivos, sendo que o primeiro é o mesmo de sempre, ganhar dinheiro para (sobre)viver, e o outro é para fazer alguma coisa só minha, sem a "tribo" atrás, costumo dizer que vou descansar do meu "trabalho" de ser mãe. Mas ser mãe é e sempre será a minha ocupação e o que irá sempre proporcionar valor á minha vida. Não o valor que é dado pelo que recebo monetariamente (que é nada), ou o valor que é dado pela sociedade, mas o valor que eu lhe dou como sendo o que sempre sonhei fazer.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Uma Historia

Conheço a história de uma menina (que já é mulher) que me tem vindo á memória estes últimos dias.
Esta menina tinha 7 anos na altura, era um tanto Maria Rapaz e gostava das brincadeiras dos meninos e de andar com eles (a explorar, correr, subir a árvores, etc), na zona onde morava havia um grupo de meninos alguns da idade dela, outros um bocadinho maiores, e ela andava sempre atrás deles.
Um dia os meninos quiseram experimentar aquilo do sexo e como só havia uma menina, experimentaram com ela. Ninguém a obrigou a nada e não foi maltratada. Ela simplesmente não sabia e deixou, porque queria brincar com eles.
Durante muitos anos guardou aquilo em segredo, e durante muito tempo guardou por vergonha, porque na sua cabeça a culpa tinha sido dela, porque ela deixou.
Um dia contou me isto em confidência, e na conversa percebeu que uma criança de 7 anos não consegue perceber ou consentir, e a culpa nunca foi dela. Continuou a guardar o segredo por outros motivos.
Esta história é real, e de alguém que eu conheço pessoalmente.
Não sei se "foi obrigada a dar beijinhos aos avós" ou se lhe faltou alguma coisa durante a infância, só sei que nunca ninguém lhe disse: "o teu corpo é teu e só tu deves tocar nele até teres idade suficiente para perceber o que é o consentimento", "se alguém tentar tocar em ti, diz a alguém com quem sintas confiança".
São duas coisas muito simples de ensinar, mas na cabeça de uma criança não é tão fácil de perceber, especialmente se é obrigada a dar beijinhos a quem não quer, porque uma criança de 7 anos (muito mais uma menor) nem sempre sabe ver a diferença entre um beijinho na bochecha e um beijinho no canto da boca, ou não percebe a diferença entre o beijinho que não quer dar na avó ou o beijinho que não quer dar (ao primo, tio, amigo, conhecido etc) a outra pessoa e vai achar que é sempre obrigação, ou que não precisa de deixar usar o seu corpo para poder brincar com as outras crianças, pois não têm a mesma noção que um adulto tem. Esta obrigação do beijinho é a diferença entre uma criança que sabe que a sua recusa é respeitada e no momento que algo fora do normal acontece, fala logo com alguém e a coisa fica por ali, e a criança que pensa que não pode recusar certas coisas e passa anos a ser abusada porque é obrigada a dar/receber beijinhos a quem não quer.
Honestamente não vejo a dificuldade em entender que a criança deve ter o direito de recusar o contacto físico com qualquer pessoa, assim como tem a obrigação social de cumprimentar educadamente.
Mas só para que fique claro, dar beijinhos, abraços e afecto a quem gostamos é maravilhoso e aqui ninguém disse que devemos proibir os beijinhos aos avós, quando são por gosto devemos incentivar, e fazer saber tanto verbalmente como por gestos a quem amamos, que os amamos.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Perspectivas

Normalmente quando ouvimos as palavras "fim de semana comprido" o sentimento é bom.
Mas este fim de semana que passou, sendo que o pai dos meus filhos estaria a trabalhar todos os dias das 7 ás 19h, não se vislumbrava grande coisa.
Só não pensei que (da minha perspectiva) fosse uma bosta (para não dizer asneiras)!
Logo na noite de quinta para sexta começou mal, só dormi 3 horas entre as 3h e as 6h, sendo que entre as 22h e as 3h a princesa ia intercalando pequenos sonos, com choro e vómitos.
O dia de sexta correu bem, e até fui almoçar a casa de uma amiga, a parte complicada foi ir de transportes (metro e autocarro), com uma criatura "attached" ao meu peito, que a cada tossezinha me deixava numa ansiedade de pensar que me ia vomitar toda, mas tal não aconteceu.
Sábado foi passado em casa sem grandes eventos, ao fim do dia fomos ao Colombo buscar (por fim) os livros do rapaz que entrou este ano para o Primeiro Ano, e acabámos por lá jantar com uns amigos.
Na noite de sábado para domingo, e sem nada que fizesse prever, pois o jantar tinha corrido bem, acordo ás 2h com o Gabriel a chorar, e vou dar com ele, a cama e os peluches todos vomitados (coisa que nunca tinha acontecido com ele, pois ele muito raramente vomitou nos seus 6 anos de vida).

Um aparte, eu não vomito, ou posso contar com os dedos de uma mão as vezes que vomitei (que tenha memoria) na minha vida. E por conseguinte não me considero pro em limpar vomito.
Este fim de semana limpei mais do que me recordo.

O Gabriel ainda vomitou mais duas vezes e estive com ele umas 3 horas acordados. Na manhã seguinte dormiu até ás 10h, e passou o dia de domingo mais quieto, e comeu pouco. Mas no fim do dia, tanto ele como ela estavam bem e com energia, já eu estava completamente esgotada, e comecei a ficar enjoada, com tonturas e dores de barriga, acabei por não jantar com receio de vomitar (o qual acabou por não acontecer) mas a noite foi complicada e tive que tomar um chá e um paracetamol para as dores de barriga.

Na segunda-feira, crianças bem dispostas para a escola, e eu toda "esfarrapada" para o trabalho (ainda dormi mais uma hora de manhã depois de os deixar na escola e antes de ir trabalhar).
Chego ao trabalho toda compadecida de mim mesma, á espera de partilhar o meu "sofrimento" e que se compadecessem de mim, mas antes de contar o meu "drama", pergunto á minha colega como tinha passado o seu fim de semana, e com lágrimas nos olhos, ela me responde "O meu melhor amigo morreu"!!
Toda a minha auto-compaixão se desvaneceu num instante, já nada do que fez do meu fim de semana uma bosta, era importante, todos estávamos bem. O meu único pensamento durante a tarde, foi que daqui a um ano, este meu fim de semana provavelmente já não estará na minha memória, mas para a minha colega vai fazer um ano que perdeu um grande amigo e será com certeza uma data que não vai esquecer.